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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!
Mostrando postagens com marcador Poema de Amor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poema de Amor. Mostrar todas as postagens
Tateei numa noite a meu lado na cama, mas ele não estava lá.
Procurei por seus cabelos, sua pele, seu odor.
Procurei por suas palavras, sorrisos e risadas.

Procurei como louca, mas ele não estava lá.
Quando entregue aos caprichos do sono,
Enganador eterno, eterno traiçoeiro eterno,
Podia ver seu olhar, seus gestos, seus sorrisos.
Podia ver você.

Mas, nesta noite, já desperta, sei a verdade.
Você nunca esteve lá.
Camila Sâmia




Ouço um som.
Tal espelho, em sete ou seis partes sinto em meu peito partir.

Em cada reflexo um momento, uma lembrança.
Tão poucas, tão in-si-g-ni-fi-can-tes.
“Melhor assim”, penso.
Mais tarde, mais alimentadas
Felizes por se sentirem seguras, desejadas, am...
Sei que se partiriam em impossíveis pedaços.
Que o sopro de seu “adeus” mandaria pelo infinito
Deixando em meu peito nada, além do vazio
E em minha mente nada, além de você.
Camila Sâmia
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antes durante depois antes

(antes) pensei que seria fácil dizer o que os sentidos buscam, que a carne mandaria todas as sintonias que o cérebro detona silenciosamente. pensei que seria simples repetir os detalhes já sacralizados pelos seres que já sentiram sem saber o que e porque. pensei e formulei hipóteses claras e evidentes para os atos que não sabem o que buscam e mesmo assim carregam em si a tontura do desejo. (durante) senti que tua presença morde meus sentidos e pede de mim uma força que a cada dia é outra. senti que você, que sorri pra mostrar dor, está decidido a dar vida ao que vibra. senti que o silêncio a dois é vergonhoso e que acostumar com é sentir-se bem com. senti que o tempo machuca, sempre insuficiente. senti o cansaço de sentir pulsar, sem um movimento. senti em teu cheiro o sabor do mundo, um mundo só teu. senti o mundo esvaziar ao ouvir tua voz, sempre a narrar efemeridades. (depois) percebi a carne esmorecer de tanto vibrar. percebi que os detalhes são, respiram a nosso lado. percebi que tua presença sufocava o mundo, o meu. percebi que teu sorriso é um disfarce pra dor. percebi que o tempo tem sua razão de ser, perdurando em tua presença. percebi que o silêncio a dois é conseguir estar só em si. percebi que pensar e sentir é não perceber. (antes)
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sobre amor

Sobre o Amor...

Penso
Um ar ,um passo insóbrio,um corpo vazio
Algo aqui não consegue exprimir .Nao esta aqui.Frio.Solidao.As palavras são insuficientes,tornam-se companheiras
A primevera escorre em cachos de flores pelas arvores
O sol pardo e frio da manha  invadindo minha janela...convidando-me...e esse AQUI  infinito...
Um cheiro passa e me envolve estou só .
Vozes me falam me gritam me ensurdecem.
E não ouço.Sinto.Alheio-me destas coisas que restringem a felicidade .A felicidade dsse momento carregado de infinitos.
(e não ouso dizer as palavras proibidas)
Não ouso dizer aquilo que me enlouuece,que me atormenta,que me alucina.
Nunca foi tão difícil dizer
Um furor.Um desejo.
Algo que me faz mortal e humano.
Se eu fosse um deus ,todas as estações seriam para ti ,Quero ver-te em meio a chuva,frio,teu nariz roxo e os lábios tremendo;um corpo abalado pelo medo e o desejo de infinito.Eu dar-te-ei.
Gosto de ver o sol beijar tua pele nas manhas .
Acordamos  juntos .
Gosto do cheiro de for dos lençóis :alfazema e camomila...
Gosto das violetas em um jarro branco no canto da parede...
E o chão de ladrilhos vermelhos.gosto de por alguns momentos respirar o mesmo ar que respiras  .QUENTE.
Gosto dos moveis de madeira rústica,gosto de olhar pela janela e ver a cidade despertando ,gosto de velar teu sono...
Dos teus livros velhos e que tantos amas,como ás vezes confessa,mais do que a mim.
Gosto de te ver falar sobre literatura.
E da tua necessidade de escrever no meio da noite.
(as arvores não sabem o vento não sabe só os meus gatos e algumas flores)
Aquelas flores da mesa da sala de jantar
Você não sabe...
Sensação de indefinido
Mas eu sei das flores que mais gostas
Sei dos teus sorrisos e que danças com as ondas ,a luz dos teus olhos brinca e se perde com as estrelas e sua fraca luz..
Tua voz brinca com o barulho do mar.
Brinco de olhar-te e pero-me
A porta esta aberta e sei que não posso ir ver-te
Por que tu te ocupas tanto.
Sempre escrevendo,lendo ,trabalhando,
E eu aqui pensando-te,olhando-te...
Querendo dizer-te algo.
Algo...
Mas sabe eu prefiro mesmo é fazer –te sentir
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Essência

Nos cadernos que me servem de confissões
nas folhas em que me consumo espalhadas pela mesa
no íntimo dos rascunhos dos meus versos
habita a tua essência.

E possui vida comum a minha
nas coisas mais fundamentais
na busca de versos fundamentais
nas coisas que habitam o meu lar.

A tua essência gravou-se em minhas mãos
fundiu-se a feição do meu quarto.

A tua essência permanece em meus lençóis
quando compartilho com os sonhos
a quintessência da tua própria visão.

[Madjer]
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Ausência

Há muito tempo o amor sofre ameaças:
Ser limitado, aprisionado, definido.
Como as areias oscilantes de uma ampulheta,
ser sempre o reverso de outro amor,
ranço do que já foi.

                       ***

O amor não é e jamais será boa coisa.
É um poço de areia movediça:
uma vez imerso, não há mais volta.
Tudo passa a ser uma ânsia febril por presença
como o viciado em abstinência por sua heroína.
O passar das horas será marcado
pelo resquício de um sonho que
deixa um gosto bom na boca.
E a existência será uma busca
faminta e alucinada
por antever o cheiro de braços
e sentir o tremor de uma voz
doce e grave nos ouvidos.
Os sentidos serão inebriados
pelas gotículas embaçadas de um nevoeiro
onde nos perdemos nos labirintos de atenções e carinhos.

                       ***

Mas toda presença leva a uma ausência:
De chamas para cinzas.
De neblina para chuva ácida.
De amantes para amigos.
De “te amo” para "bom dia”.
Da boca só escorrerão palavras amargas
E todos os momentos serão maculados
pela fuligem do esquecimento.
O mundo será surdo e distorcido como uma vida submersa.
As cartas de amor serão serragem
a se desperdiçar na multidões.

                       ***

Sedimentam-se os grãos arenosos do tempo,
e a eles se misturam flocos de amor e esperança.
Todo o amor uma vez depositado em alguém
se tornará pedra.
Quando somos jovens, acreditamos
que sempre há um novo começo
Mas verdadeiros começos
nascem poucas vezes.
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Adormecida

Sempre eu e você
doces sonhos ter
além da canção.


           
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A Hora do Despetar


À hora do despertar
nada justifica
o círculo roxo
a inscrição voraz
o peito exausto
a letargia das mãos em quietos,
oníricos
e
abandonados movimentos...

A tua pele branca
queima na manhã
a minha pele ávida
do calor dos teus beijos nos meus.

E eu não desperto com palavras.
Tu firmas docilmente os teus olhos
apenas no que tudo em mim sente:
no aquietar-se das mãos
no que meu hálito te estremece
no que a boca exige:
os teus
os somente teus
beijos que despertam nos meus.

E repousamos na memória,
por todo o dia,
o que a pele já não justifica,
pois há tudo aquilo
que até escapa a confissão do eu te amo,
pois há tudo aquilo
que não se traduz na expressão do eu te amo,
pois nem todas as palavras esquecidas
justificam
nem na pele, nem nos olhos, nem nos braços
a eternidade de quem ama
junto a primeira cor da madrugada.

[Madjer]
Read More 1 Comment | Postado por Tecendo a Escritura

Eu te alcanço!


Na estrada amarela dos cercados cercantes, caminho calmo e solidário. ninguém aparece. a estrada é longa, não tenho pressa. curvas não há, ladeiras, por vezes. caminho. caminho. cataventos. cercas. sem caminhos. única reta desconcertando meu ser. êta estrada sem fim, o que é que vou fazer? na noite, no dia, a reta permanece calma e fugidia. a brisa lenta, o vento forte, sem tufões ou furacões, longe de desastres físicos, intempestuosos. quando durmo, espaço o tempo, admiro o absurdo e acordo trêmulo, suspirando medo. não, não me pergunto onde. dormir no meio da estrada amarela não vou. Foram anos, nem sei quantos e como ali chegou. o andante, caminhante, anda, tresvario, endoidando. o Amor que lhe chamou. a estrada é mesmo sem fim, meio sem cor. ele é que viu um pássaro fujão e pensou ser um beijaflor de cor amarela, olhou pra estrada e a ourou. Mesmo sabendo, digo, Essa estrada tem fim, tem curva, saliência, buraco no meio dela, uma hora há de vir. nem me lembro mais quem me chamou. Ecoa o vento Amor...or...or... Olho os lados, cercas, cercas, cercas, cercas, cercas, acordou. O horizonte acordou! Cria jeito de gente! vailamedeus! Correu, correu, passou dia, passou noite, cansou. Vi uma curva, tenho certeza, não é oásis, nem fortaleza, vi um vulto que ali dobrou, Eu te alcanço, maldito Amor!

Nathan Matos
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Amor perfeito

Faço versos para ti, amor,
Tenho tudo bem perto
Lua, estrelas, noite, calor
Perfeito para o poema certo
Ensaio um começo:
“A lua te roubou a beleza,
Do teu seio a brancura
No meu peito a certeza:
Amo-te, tu e tua candura”
Retomo o pensamento
Meu amor não tem alvura
E nem me traz tanto sossego
Estes versos não são teus
Quem sabe, nem meus
Mas vão tão bem com a noite
A lua e estrelas. Quase perfeitos
Mas são amor demais
Estão muito satisfeitos.
Meu amor não é assim
Não é alvo, não é luz
Está sempre a me enganar
É de mim oculto e seduz
Volto aos versos:
Não são raros
De certa, foram já falados
Nem contudo bem rimados
Mas vão tão bem com a noite
A lua e estrelas
Mas outro poema não vem
Não tenho poema novo
Já é dia daqui a pouco
Das minhas letras
Nada de novo saiu
Agora, sem lua, estrelas
E um amor que ainda não existiu.

Keyla Freires
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    [+/-]

    Tateei numa noite a meu lado na cama, mas ele não estava lá.
    Procurei por seus cabelos, sua pele, seu odor.
    Procurei por suas palavras, sorrisos e risadas.

    Procurei como louca, mas ele não estava lá.
    Quando entregue aos caprichos do sono,
    Enganador eterno, eterno traiçoeiro eterno,
    Podia ver seu olhar, seus gestos, seus sorrisos.
    Podia ver você.

    Mas, nesta noite, já desperta, sei a verdade.
    Você nunca esteve lá.
    Camila Sâmia




    Ouço um som.
    Tal espelho, em sete ou seis partes sinto em meu peito partir.

    Em cada reflexo um momento, uma lembrança.
    Tão poucas, tão in-si-g-ni-fi-can-tes.
    “Melhor assim”, penso.
    Mais tarde, mais alimentadas
    Felizes por se sentirem seguras, desejadas, am...
    Sei que se partiriam em impossíveis pedaços.
    Que o sopro de seu “adeus” mandaria pelo infinito
    Deixando em meu peito nada, além do vazio
    E em minha mente nada, além de você.
    Camila Sâmia

    [+/-]

    antes durante depois antes

    (antes) pensei que seria fácil dizer o que os sentidos buscam, que a carne mandaria todas as sintonias que o cérebro detona silenciosamente. pensei que seria simples repetir os detalhes já sacralizados pelos seres que já sentiram sem saber o que e porque. pensei e formulei hipóteses claras e evidentes para os atos que não sabem o que buscam e mesmo assim carregam em si a tontura do desejo. (durante) senti que tua presença morde meus sentidos e pede de mim uma força que a cada dia é outra. senti que você, que sorri pra mostrar dor, está decidido a dar vida ao que vibra. senti que o silêncio a dois é vergonhoso e que acostumar com é sentir-se bem com. senti que o tempo machuca, sempre insuficiente. senti o cansaço de sentir pulsar, sem um movimento. senti em teu cheiro o sabor do mundo, um mundo só teu. senti o mundo esvaziar ao ouvir tua voz, sempre a narrar efemeridades. (depois) percebi a carne esmorecer de tanto vibrar. percebi que os detalhes são, respiram a nosso lado. percebi que tua presença sufocava o mundo, o meu. percebi que teu sorriso é um disfarce pra dor. percebi que o tempo tem sua razão de ser, perdurando em tua presença. percebi que o silêncio a dois é conseguir estar só em si. percebi que pensar e sentir é não perceber. (antes)

    [+/-]

    sobre amor

    Sobre o Amor...

    Penso
    Um ar ,um passo insóbrio,um corpo vazio
    Algo aqui não consegue exprimir .Nao esta aqui.Frio.Solidao.As palavras são insuficientes,tornam-se companheiras
    A primevera escorre em cachos de flores pelas arvores
    O sol pardo e frio da manha  invadindo minha janela...convidando-me...e esse AQUI  infinito...
    Um cheiro passa e me envolve estou só .
    Vozes me falam me gritam me ensurdecem.
    E não ouço.Sinto.Alheio-me destas coisas que restringem a felicidade .A felicidade dsse momento carregado de infinitos.
    (e não ouso dizer as palavras proibidas)
    Não ouso dizer aquilo que me enlouuece,que me atormenta,que me alucina.
    Nunca foi tão difícil dizer
    Um furor.Um desejo.
    Algo que me faz mortal e humano.
    Se eu fosse um deus ,todas as estações seriam para ti ,Quero ver-te em meio a chuva,frio,teu nariz roxo e os lábios tremendo;um corpo abalado pelo medo e o desejo de infinito.Eu dar-te-ei.
    Gosto de ver o sol beijar tua pele nas manhas .
    Acordamos  juntos .
    Gosto do cheiro de for dos lençóis :alfazema e camomila...
    Gosto das violetas em um jarro branco no canto da parede...
    E o chão de ladrilhos vermelhos.gosto de por alguns momentos respirar o mesmo ar que respiras  .QUENTE.
    Gosto dos moveis de madeira rústica,gosto de olhar pela janela e ver a cidade despertando ,gosto de velar teu sono...
    Dos teus livros velhos e que tantos amas,como ás vezes confessa,mais do que a mim.
    Gosto de te ver falar sobre literatura.
    E da tua necessidade de escrever no meio da noite.
    (as arvores não sabem o vento não sabe só os meus gatos e algumas flores)
    Aquelas flores da mesa da sala de jantar
    Você não sabe...
    Sensação de indefinido
    Mas eu sei das flores que mais gostas
    Sei dos teus sorrisos e que danças com as ondas ,a luz dos teus olhos brinca e se perde com as estrelas e sua fraca luz..
    Tua voz brinca com o barulho do mar.
    Brinco de olhar-te e pero-me
    A porta esta aberta e sei que não posso ir ver-te
    Por que tu te ocupas tanto.
    Sempre escrevendo,lendo ,trabalhando,
    E eu aqui pensando-te,olhando-te...
    Querendo dizer-te algo.
    Algo...
    Mas sabe eu prefiro mesmo é fazer –te sentir

    [+/-]

    Essência

    Nos cadernos que me servem de confissões
    nas folhas em que me consumo espalhadas pela mesa
    no íntimo dos rascunhos dos meus versos
    habita a tua essência.

    E possui vida comum a minha
    nas coisas mais fundamentais
    na busca de versos fundamentais
    nas coisas que habitam o meu lar.

    A tua essência gravou-se em minhas mãos
    fundiu-se a feição do meu quarto.

    A tua essência permanece em meus lençóis
    quando compartilho com os sonhos
    a quintessência da tua própria visão.

    [Madjer]

    [+/-]

    Ausência

    Há muito tempo o amor sofre ameaças:
    Ser limitado, aprisionado, definido.
    Como as areias oscilantes de uma ampulheta,
    ser sempre o reverso de outro amor,
    ranço do que já foi.

                           ***

    O amor não é e jamais será boa coisa.
    É um poço de areia movediça:
    uma vez imerso, não há mais volta.
    Tudo passa a ser uma ânsia febril por presença
    como o viciado em abstinência por sua heroína.
    O passar das horas será marcado
    pelo resquício de um sonho que
    deixa um gosto bom na boca.
    E a existência será uma busca
    faminta e alucinada
    por antever o cheiro de braços
    e sentir o tremor de uma voz
    doce e grave nos ouvidos.
    Os sentidos serão inebriados
    pelas gotículas embaçadas de um nevoeiro
    onde nos perdemos nos labirintos de atenções e carinhos.

                           ***

    Mas toda presença leva a uma ausência:
    De chamas para cinzas.
    De neblina para chuva ácida.
    De amantes para amigos.
    De “te amo” para "bom dia”.
    Da boca só escorrerão palavras amargas
    E todos os momentos serão maculados
    pela fuligem do esquecimento.
    O mundo será surdo e distorcido como uma vida submersa.
    As cartas de amor serão serragem
    a se desperdiçar na multidões.

                           ***

    Sedimentam-se os grãos arenosos do tempo,
    e a eles se misturam flocos de amor e esperança.
    Todo o amor uma vez depositado em alguém
    se tornará pedra.
    Quando somos jovens, acreditamos
    que sempre há um novo começo
    Mas verdadeiros começos
    nascem poucas vezes.

    [+/-]

    Adormecida

    Sempre eu e você
    doces sonhos ter
    além da canção.


               

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    A Hora do Despetar


    À hora do despertar
    nada justifica
    o círculo roxo
    a inscrição voraz
    o peito exausto
    a letargia das mãos em quietos,
    oníricos
    e
    abandonados movimentos...

    A tua pele branca
    queima na manhã
    a minha pele ávida
    do calor dos teus beijos nos meus.

    E eu não desperto com palavras.
    Tu firmas docilmente os teus olhos
    apenas no que tudo em mim sente:
    no aquietar-se das mãos
    no que meu hálito te estremece
    no que a boca exige:
    os teus
    os somente teus
    beijos que despertam nos meus.

    E repousamos na memória,
    por todo o dia,
    o que a pele já não justifica,
    pois há tudo aquilo
    que até escapa a confissão do eu te amo,
    pois há tudo aquilo
    que não se traduz na expressão do eu te amo,
    pois nem todas as palavras esquecidas
    justificam
    nem na pele, nem nos olhos, nem nos braços
    a eternidade de quem ama
    junto a primeira cor da madrugada.

    [Madjer]

    [+/-]

    Eu te alcanço!


    Na estrada amarela dos cercados cercantes, caminho calmo e solidário. ninguém aparece. a estrada é longa, não tenho pressa. curvas não há, ladeiras, por vezes. caminho. caminho. cataventos. cercas. sem caminhos. única reta desconcertando meu ser. êta estrada sem fim, o que é que vou fazer? na noite, no dia, a reta permanece calma e fugidia. a brisa lenta, o vento forte, sem tufões ou furacões, longe de desastres físicos, intempestuosos. quando durmo, espaço o tempo, admiro o absurdo e acordo trêmulo, suspirando medo. não, não me pergunto onde. dormir no meio da estrada amarela não vou. Foram anos, nem sei quantos e como ali chegou. o andante, caminhante, anda, tresvario, endoidando. o Amor que lhe chamou. a estrada é mesmo sem fim, meio sem cor. ele é que viu um pássaro fujão e pensou ser um beijaflor de cor amarela, olhou pra estrada e a ourou. Mesmo sabendo, digo, Essa estrada tem fim, tem curva, saliência, buraco no meio dela, uma hora há de vir. nem me lembro mais quem me chamou. Ecoa o vento Amor...or...or... Olho os lados, cercas, cercas, cercas, cercas, cercas, acordou. O horizonte acordou! Cria jeito de gente! vailamedeus! Correu, correu, passou dia, passou noite, cansou. Vi uma curva, tenho certeza, não é oásis, nem fortaleza, vi um vulto que ali dobrou, Eu te alcanço, maldito Amor!

    Nathan Matos

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    Amor perfeito

    Faço versos para ti, amor,
    Tenho tudo bem perto
    Lua, estrelas, noite, calor
    Perfeito para o poema certo
    Ensaio um começo:
    “A lua te roubou a beleza,
    Do teu seio a brancura
    No meu peito a certeza:
    Amo-te, tu e tua candura”
    Retomo o pensamento
    Meu amor não tem alvura
    E nem me traz tanto sossego
    Estes versos não são teus
    Quem sabe, nem meus
    Mas vão tão bem com a noite
    A lua e estrelas. Quase perfeitos
    Mas são amor demais
    Estão muito satisfeitos.
    Meu amor não é assim
    Não é alvo, não é luz
    Está sempre a me enganar
    É de mim oculto e seduz
    Volto aos versos:
    Não são raros
    De certa, foram já falados
    Nem contudo bem rimados
    Mas vão tão bem com a noite
    A lua e estrelas
    Mas outro poema não vem
    Não tenho poema novo
    Já é dia daqui a pouco
    Das minhas letras
    Nada de novo saiu
    Agora, sem lua, estrelas
    E um amor que ainda não existiu.

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