Tecendo a Escritura
[Madjer]
-é sufocante ser pressionada a escrever .
-mas você sempre escreve o que te sufoca não é ?
-talvez...
-è fantastico te ver pressionada.
-não entendi?!
-é engraçado ver você buscando as palavras ,querendo-as e conmo sempre no momento em que você ...
-que eu mais preciso delas ?! NÃO , eu nao preciso .
-nao era isso que eu ia dizer .
- o que entao?
-que voce as pega e elas se metamorfoseiam , se enroscam em voce , te afogam ,te sufocam e te matam ...e voce se fenisqueia ...
-o que é isso,"fenisqueia"?!
-renasce das cinzas ...
-mas eu fui afogada e sufocada ...nesse momento o relogio aperta o meu pulso ,o ar frio tenta penetrar nos meus poros ,e essa sufocação...
-indefinivel universo da criaçao cinzas esparsas me lembram palavras em destroços ,que se re...
-sabe ,lembrei agora que voce falou em destroços dos escritores expressionistas do pós-guerra...e de durante a guerra ...sufoco causado pelo desespero.
-voce me atrapalhou...
-o que dizias?
-ah!esquece-me...
-engraçado...voce esqueceu de si ou do que voce ia falar..
-nao faças perguntas sobre mim ,voce sabe que eu nao me conheço.
-e nem escreve e nem pensa...
-ah! eu só quero botar pra fora o que incomoda ...
-o que te incomoda ?
-ás vezes que eu tento falar e voce nao escuta ,qundo eu grito...e voce só faz as suas atividades pateticas do dia ...voce é ridicula!
-Triste! voce tambem é!
-isso é pra mim deixar de ser intrometida .eu nunca deveria ter sido concebida.
"Voce nao foi concebida e sim descoberta ,penetrada,desentranhada ...muitas vezes eu te cuspi,eu te xinguei,e te banhei de lagrimaas.Quando algo me doía nós nos condoiamos e bailavamos aos sons...o dia mais bonito que pra mim existiu naquela margem do caminho da vida que no meu passo falso cambaleante e cansado eu tropeçei e levantaste-me .abriste-me os olhos e me deste a chave.Entrei e me vi sufocada de tantas coisas juntas vi tudo o que tinha vivido até ali,libertei os grilhoes das coisas presas e descobri que nao tinha mais onde segurar e sufoquei outra vez ,.Entao me deste a mao e me guiaste ,eu emergi .E no fim algo branco no fim do tunel ,cheiro de grafite sujando o branco.O branco inundou-se de cinzas.Talvez carvao talvez diamante ,talvez cristal lapidado pela agua do mar.
tuas maos brincam com o fogo ,com a agua,com o ceu ,com as paisagens...
brincam com os animais ,as plantas e toda especie de seres vivos ...
tuas maos brincam com os homens ,os arcanjos e o mal...e os seres mais fantasticos ...
tuas maos brincam comigo me acariciam como um bafo leve de fogo ,me batem como as ondas fortes da mare alta ,elas tambem sao quentes ...quentes como as tuas maos sobre o meu eu...cansado e sempre sufocado...perdido e ainda uma vez reencontrado...
toda sorte de bobagens ,todo um mundo de inconcistencias e inconciencias ...
e tuas maos ...
toda vida cotidiana e tuas maos a me salvear dela ...
um desespero ...algo suaviza...nesse momento em que a sufocaçao ,sufoca a mim e ati unimo-nos num só...
vejo o branco...
sinto o velho cheiro...
grafite e cinza...
vejo pontas...coisas sobre o branco...
enfim...a escrita...
Priscilla Falcao
aliada a desejo dedicado no ofício de escrever.
Expressão ímpar que burla tratados e extrapola limites,
inclusive os traços primeiros, objetivos perdidos.
Expressão que perdura por apreender delírios mágicos,
devaneios apaixonados de uma febre criadora.
Literatura como que num êxtase irrompe louca,
no papel não se basta.
Fera que é não admite armários,
jaulas, cômodos organizados, vai além da razão.
Esse tremor musicado pela melodia das palavras as transcende; transcende o “ela”. Suas ondas sonoras atingem os confins do inefável e escapam às suas mãos.
Atormentada por essa melodia, ela tenta torná-la concreta tecendo a escritura. Mas dar forma a uma massa amorfa é uma caminhada trôpega e desencontrada: é o fio de Ariadne que não encontra a solução do labirinto; é a manta de Penélope que é construída e desfeita a cada dia; é tecer o infinito sem o julgamento das Moiras para determinar seu desfecho.
E nessa busca em espiral, Ela sente que o propósito de tecer é voltar à paz amniótica do embrião em seu início. É, num mundo onírico infantil, a luta para atravessar os sete céus e aprisionar um punhado de poeira das estrelas nas mãos.
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-é sufocante ser pressionada a escrever .
-mas você sempre escreve o que te sufoca não é ?
-talvez...
-è fantastico te ver pressionada.
-não entendi?!
-é engraçado ver você buscando as palavras ,querendo-as e conmo sempre no momento em que você ...
-que eu mais preciso delas ?! NÃO , eu nao preciso .
-nao era isso que eu ia dizer .
- o que entao?
-que voce as pega e elas se metamorfoseiam , se enroscam em voce , te afogam ,te sufocam e te matam ...e voce se fenisqueia ...
-o que é isso,"fenisqueia"?!
-renasce das cinzas ...
-mas eu fui afogada e sufocada ...nesse momento o relogio aperta o meu pulso ,o ar frio tenta penetrar nos meus poros ,e essa sufocação...
-indefinivel universo da criaçao cinzas esparsas me lembram palavras em destroços ,que se re...
-sabe ,lembrei agora que voce falou em destroços dos escritores expressionistas do pós-guerra...e de durante a guerra ...sufoco causado pelo desespero.
-voce me atrapalhou...
-o que dizias?
-ah!esquece-me...
-engraçado...voce esqueceu de si ou do que voce ia falar..
-nao faças perguntas sobre mim ,voce sabe que eu nao me conheço.
-e nem escreve e nem pensa...
-ah! eu só quero botar pra fora o que incomoda ...
-o que te incomoda ?
-ás vezes que eu tento falar e voce nao escuta ,qundo eu grito...e voce só faz as suas atividades pateticas do dia ...voce é ridicula!
-Triste! voce tambem é!
-isso é pra mim deixar de ser intrometida .eu nunca deveria ter sido concebida.
"Voce nao foi concebida e sim descoberta ,penetrada,desentranhada ...muitas vezes eu te cuspi,eu te xinguei,e te banhei de lagrimaas.Quando algo me doía nós nos condoiamos e bailavamos aos sons...o dia mais bonito que pra mim existiu naquela margem do caminho da vida que no meu passo falso cambaleante e cansado eu tropeçei e levantaste-me .abriste-me os olhos e me deste a chave.Entrei e me vi sufocada de tantas coisas juntas vi tudo o que tinha vivido até ali,libertei os grilhoes das coisas presas e descobri que nao tinha mais onde segurar e sufoquei outra vez ,.Entao me deste a mao e me guiaste ,eu emergi .E no fim algo branco no fim do tunel ,cheiro de grafite sujando o branco.O branco inundou-se de cinzas.Talvez carvao talvez diamante ,talvez cristal lapidado pela agua do mar.
tuas maos brincam com o fogo ,com a agua,com o ceu ,com as paisagens...
brincam com os animais ,as plantas e toda especie de seres vivos ...
tuas maos brincam com os homens ,os arcanjos e o mal...e os seres mais fantasticos ...
tuas maos brincam comigo me acariciam como um bafo leve de fogo ,me batem como as ondas fortes da mare alta ,elas tambem sao quentes ...quentes como as tuas maos sobre o meu eu...cansado e sempre sufocado...perdido e ainda uma vez reencontrado...
toda sorte de bobagens ,todo um mundo de inconcistencias e inconciencias ...
e tuas maos ...
toda vida cotidiana e tuas maos a me salvear dela ...
um desespero ...algo suaviza...nesse momento em que a sufocaçao ,sufoca a mim e ati unimo-nos num só...
vejo o branco...
sinto o velho cheiro...
grafite e cinza...
vejo pontas...coisas sobre o branco...
enfim...a escrita...
Priscilla Falcao
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Literatura em expressão |
Expressão que advém de uma imaginação singular
aliada a desejo dedicado no ofício de escrever.
Expressão ímpar que burla tratados e extrapola limites,
inclusive os traços primeiros, objetivos perdidos.
Expressão que perdura por apreender delírios mágicos,
devaneios apaixonados de uma febre criadora.
Literatura como que num êxtase irrompe louca,
no papel não se basta.
Fera que é não admite armários,
jaulas, cômodos organizados, vai além da razão.
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Diálogo com a página em branco |
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I Found a Reason |
Sempre que aquela angústia se espalha por seu corpo sob a forma de um formigamento virulento, seu “eu” torna-se “ela”. O embrião encharcado de sangue, vida e vísceras transporta-se para a esfera da palavra, multiplicando suas células e (des)organizando-se em um mundo etéreo, com sua própria estrutura atômica, nessa desordenada alquimia do impalpável.
Esse tremor musicado pela melodia das palavras as transcende; transcende o “ela”. Suas ondas sonoras atingem os confins do inefável e escapam às suas mãos.
Atormentada por essa melodia, ela tenta torná-la concreta tecendo a escritura. Mas dar forma a uma massa amorfa é uma caminhada trôpega e desencontrada: é o fio de Ariadne que não encontra a solução do labirinto; é a manta de Penélope que é construída e desfeita a cada dia; é tecer o infinito sem o julgamento das Moiras para determinar seu desfecho.
E nessa busca em espiral, Ela sente que o propósito de tecer é voltar à paz amniótica do embrião em seu início. É, num mundo onírico infantil, a luta para atravessar os sete céus e aprisionar um punhado de poeira das estrelas nas mãos.
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