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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!
Mostrando postagens com marcador O que é a escritura?. Mostrar todas as postagens
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Busco sempre o meu eu a cada passo que dou
Fujo sempre de mim a cada tempo ou instante
O espelho é a verdade,
dizem,
Mas, qual verdade é a minha se cada vez que me miro é sempre outro que vejo?

Terão as máscaras se misturado? Se imbricado? Se dissolvido?

Espelhos, espelhos... Fluidos como a água
Efêmeros como a vida.
Eternos como a morte.
Efêmeros como a morte,
Eternos como a vida.

Somente prisões opacas de grades horizontais
Ou o eterno branco, ou preto; vazio absoluto
Sem fugas
Sem possibilidade de outro
Sem possibilidade do mesmo
Sem possibilidade de mim
Seria capaz de conter o que busco
Seria capaz de conter o que foge
Seria capaz.
Camila Sâmia
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desvio


a intensidade do gesto trazia o dizer
a continuidade do gesto fazia o ser
o terreno foi conquistado na força do gesto
no avesso da dobradura
o agora que fosse era sem ser
branco de ausência ausente de poder
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As Habilidades de ser eu


I

eu passo
confuso
no fuso
do meu
itinerário.

                                             II

                                             acabo esbarrando em mim
                                             quando de mim me desvio
                                             no viés em que não sou.

             III

            estou habilitado!
            habito o outro curso
            em que sou confinado.

                             IV

                            subo os degraus
                           do meu íntimo
                           seguro na mão
                           que corre
                           o corrimão.

                                           V

                                           mudando de lado
                                           ladeio em tamanhos
                                           os eus divididos
                                          dos precisos lanhos.

[Madjer]
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A PALAVRA


Teria de ter algo para suportar as nossas dores, do contrário, não resistiríamos às constantes pressões. Teria de ter alguma coisa que nos servisse como ponte entre o real e o irreal, para que possamos escolher o lado onde ficar, quando não houver mais saída. É assim que vejo a palavra, como um remédio que cura as nossas cóleras cotidianas e mostra-nos os infinitos sentidos da vida. 
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Escritura?!


-E agora?
-é sufocante ser pressionada a escrever .
-mas você sempre escreve o que te sufoca não é ?
-talvez...
-è fantastico te ver pressionada.
-não entendi?!
-é engraçado ver você buscando as palavras ,querendo-as e conmo sempre no momento em que você ...
-que eu mais preciso delas ?! NÃO , eu nao preciso .
-nao era isso que eu ia dizer .
- o que entao?
-que voce as pega e elas se metamorfoseiam , se enroscam em voce , te afogam ,te sufocam e te matam ...e voce se fenisqueia ...
-o que é isso,"fenisqueia"?!
-renasce das cinzas ...
-mas eu fui afogada e sufocada ...nesse momento o relogio aperta o meu pulso ,o ar frio tenta penetrar nos meus poros ,e essa sufocação...
-indefinivel universo da criaçao cinzas esparsas me lembram palavras em destroços ,que se re...
-sabe ,lembrei agora que voce falou em destroços dos escritores expressionistas do pós-guerra...e de durante a guerra ...sufoco causado pelo desespero.
-voce me atrapalhou...
-o que dizias?
-ah!esquece-me...
-engraçado...voce esqueceu de si ou do que voce ia falar..
-nao faças perguntas sobre mim ,voce sabe que eu nao me conheço.
-e nem escreve e nem pensa...
-ah! eu só quero botar pra fora o que incomoda ...
-o que te incomoda ?
-ás vezes que eu tento falar e voce nao escuta ,qundo eu grito...e voce só faz as suas atividades pateticas do dia ...voce é ridicula!
-Triste! voce tambem é!
-isso é pra mim deixar de ser intrometida .eu nunca deveria ter sido concebida.

"Voce nao foi concebida e sim descoberta ,penetrada,desentranhada ...muitas vezes eu te cuspi,eu te xinguei,e te banhei de lagrimaas.Quando algo me doía nós nos condoiamos e bailavamos aos sons...o dia mais bonito que pra mim existiu naquela margem do caminho da vida que no meu passo falso cambaleante e cansado eu tropeçei e levantaste-me .abriste-me os olhos e me deste a chave.Entrei e me vi sufocada de tantas coisas juntas vi tudo o que tinha vivido até ali,libertei os grilhoes das coisas presas e descobri que nao tinha mais onde segurar e sufoquei outra vez ,.Entao me deste a mao e me guiaste ,eu emergi .E no fim algo branco no fim do tunel ,cheiro de grafite sujando o branco.O branco inundou-se de cinzas.Talvez carvao talvez diamante ,talvez cristal lapidado pela agua do mar.
tuas maos brincam com o fogo ,com a agua,com o ceu ,com as paisagens...
brincam com os animais ,as plantas e toda especie de seres vivos ...
tuas maos brincam com os homens ,os arcanjos e o mal...e os seres mais fantasticos ...
tuas maos brincam comigo me acariciam como um bafo leve de fogo ,me batem como as ondas fortes da mare alta ,elas tambem sao quentes ...quentes como as tuas maos sobre o meu eu...cansado e sempre sufocado...perdido e ainda uma vez reencontrado...
toda sorte de bobagens ,todo um mundo de inconcistencias e inconciencias ...
e tuas maos ...
toda vida cotidiana e tuas maos a me salvear dela ...
um desespero ...algo suaviza...nesse momento em que a sufocaçao ,sufoca a mim e ati unimo-nos num só...
vejo o branco...
sinto o velho cheiro...
grafite e cinza...
vejo pontas...coisas sobre o branco...
enfim...a escrita...





Priscilla Falcao
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Literatura em expressão

Expressão que advém de uma imaginação singular
aliada a desejo dedicado no ofício de escrever.
Expressão ímpar que burla tratados e extrapola limites,
inclusive os traços primeiros, objetivos perdidos.
Expressão que perdura por apreender delírios mágicos,
devaneios apaixonados de uma febre criadora.
Literatura como que num êxtase irrompe louca,
no papel não se basta.
Fera que é não admite armários,
jaulas, cômodos organizados, vai além da razão.
                                                     
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Diálogo com a página em branco

Ela está lá. Sempre a me falar. Diz tantas coisas, coisas tão belas, da ordem do infinito. É sem dúvida muito tagarela, mas não tem cérebro.  Não aguento ficar em sua frente, com tantas palavras borbulhando, pulando pra fora, saltitando feito adolescentes desorientadas. Persigo-as e elas sempre escorregam. “Saem pela culatra”. E ela está sempre a me dizer coisas sobre muitas coisas. E é difícil saber o que ela me fala, do que ela me fala. Os tímpanos de minha mente são quase perfurados pela sua tagarelice e não me vem o raciocínio. Nada me vem ou tudo vem ao mesmo tempo.
A folha branca é uma maldita. Nunca diz bem as coisas.  Fala sempre por metades. Tem a voz truncada. E às vezes quase não tem voz. Mas não é porque ela calou não. Ela nunca cala. É safada. É tresloucada. Inconsciente e ciente dos danos que me causa. Danada.
E o meu papel é tentar enganá-la. Tenho que trapaceá-la. Cada palavra que ela profere, e são sempre aos montes, deve ser atada a outra, para que assim, façam sentido. Mas não dá. Chego a pensar se não seria impossível juntá-las bem bonitas, atá-las uma a uma como os nós de uma rede de pesca. Formando losangos bonitos, simétricos embora um pouco arredondados. Mas elas não deixam. Não são da ordem dos losangos, talvez. São da ordem de si mesmas. Então vou juntando as que a meu ver são parecidas, que chegam a significar seja lá o que for. E é aí que eu acho que ficam mais bonitas na desordem mesmo.
E continuo. Desisto dos losangos e parto pra outras formas geométricas ou ageométricas, ou não-formas. O importante pra mim é sempre estar em contato com essas palavras que diz a página em branco. Às vezes apenas a escuto. Ouço, ouço, ouço, ouço. Vejo os pulos das letrinhas, os pulões das palavras. Contemplo. Ouço. Amo-as. Chamo-as. Canto-as. Encanto-me. Cantam-me. Cato-as.


Keyla Freires
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Falho ato da escrita




Cresce. Verte a imagem.
Desce. Observa a branca planície.
Desafio. Linha tênue atijolada
Burburinho
                    No fim da estrada amarelada.

E devastada, a memória não dispara.
Labiríntica, és mãe acorrentada,
Não desata quando quer
                             sim
                      quando falta.                  

Nathan Matos
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I Found a Reason

Sempre que aquela angústia se espalha por seu corpo sob a forma de um formigamento virulento, seu “eu” torna-se “ela”. O embrião encharcado de sangue, vida e vísceras transporta-se para a esfera da palavra, multiplicando suas células e (des)organizando-se em um mundo etéreo, com sua própria estrutura atômica, nessa desordenada alquimia do impalpável.

Esse tremor musicado pela melodia das palavras as transcende; transcende o “ela”. Suas ondas sonoras atingem os confins do inefável e escapam às suas mãos.

Atormentada por essa melodia, ela tenta torná-la concreta tecendo a escritura. Mas dar forma a uma massa amorfa é uma caminhada trôpega e desencontrada: é o fio de Ariadne que não encontra a solução do labirinto; é a manta de Penélope que é construída e desfeita a cada dia; é tecer o infinito sem o julgamento das Moiras para determinar seu desfecho.

E nessa busca em espiral, Ela sente que o propósito de tecer é voltar à paz amniótica do embrião em seu início. É, num mundo onírico infantil, a luta para atravessar os sete céus e aprisionar um punhado de poeira das estrelas nas mãos.
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    [+/-]


    Busco sempre o meu eu a cada passo que dou
    Fujo sempre de mim a cada tempo ou instante
    O espelho é a verdade,
    dizem,
    Mas, qual verdade é a minha se cada vez que me miro é sempre outro que vejo?

    Terão as máscaras se misturado? Se imbricado? Se dissolvido?

    Espelhos, espelhos... Fluidos como a água
    Efêmeros como a vida.
    Eternos como a morte.
    Efêmeros como a morte,
    Eternos como a vida.

    Somente prisões opacas de grades horizontais
    Ou o eterno branco, ou preto; vazio absoluto
    Sem fugas
    Sem possibilidade de outro
    Sem possibilidade do mesmo
    Sem possibilidade de mim
    Seria capaz de conter o que busco
    Seria capaz de conter o que foge
    Seria capaz.
    Camila Sâmia

    [+/-]

    desvio


    a intensidade do gesto trazia o dizer
    a continuidade do gesto fazia o ser
    o terreno foi conquistado na força do gesto
    no avesso da dobradura
    o agora que fosse era sem ser
    branco de ausência ausente de poder

    [+/-]

    As Habilidades de ser eu


    I

    eu passo
    confuso
    no fuso
    do meu
    itinerário.

                                                 II

                                                 acabo esbarrando em mim
                                                 quando de mim me desvio
                                                 no viés em que não sou.

                 III

                estou habilitado!
                habito o outro curso
                em que sou confinado.

                                 IV

                                subo os degraus
                               do meu íntimo
                               seguro na mão
                               que corre
                               o corrimão.

                                               V

                                               mudando de lado
                                               ladeio em tamanhos
                                               os eus divididos
                                              dos precisos lanhos.

    [Madjer]

    [+/-]

    A PALAVRA


    Teria de ter algo para suportar as nossas dores, do contrário, não resistiríamos às constantes pressões. Teria de ter alguma coisa que nos servisse como ponte entre o real e o irreal, para que possamos escolher o lado onde ficar, quando não houver mais saída. É assim que vejo a palavra, como um remédio que cura as nossas cóleras cotidianas e mostra-nos os infinitos sentidos da vida. 

    [+/-]

    Escritura?!


    -E agora?
    -é sufocante ser pressionada a escrever .
    -mas você sempre escreve o que te sufoca não é ?
    -talvez...
    -è fantastico te ver pressionada.
    -não entendi?!
    -é engraçado ver você buscando as palavras ,querendo-as e conmo sempre no momento em que você ...
    -que eu mais preciso delas ?! NÃO , eu nao preciso .
    -nao era isso que eu ia dizer .
    - o que entao?
    -que voce as pega e elas se metamorfoseiam , se enroscam em voce , te afogam ,te sufocam e te matam ...e voce se fenisqueia ...
    -o que é isso,"fenisqueia"?!
    -renasce das cinzas ...
    -mas eu fui afogada e sufocada ...nesse momento o relogio aperta o meu pulso ,o ar frio tenta penetrar nos meus poros ,e essa sufocação...
    -indefinivel universo da criaçao cinzas esparsas me lembram palavras em destroços ,que se re...
    -sabe ,lembrei agora que voce falou em destroços dos escritores expressionistas do pós-guerra...e de durante a guerra ...sufoco causado pelo desespero.
    -voce me atrapalhou...
    -o que dizias?
    -ah!esquece-me...
    -engraçado...voce esqueceu de si ou do que voce ia falar..
    -nao faças perguntas sobre mim ,voce sabe que eu nao me conheço.
    -e nem escreve e nem pensa...
    -ah! eu só quero botar pra fora o que incomoda ...
    -o que te incomoda ?
    -ás vezes que eu tento falar e voce nao escuta ,qundo eu grito...e voce só faz as suas atividades pateticas do dia ...voce é ridicula!
    -Triste! voce tambem é!
    -isso é pra mim deixar de ser intrometida .eu nunca deveria ter sido concebida.

    "Voce nao foi concebida e sim descoberta ,penetrada,desentranhada ...muitas vezes eu te cuspi,eu te xinguei,e te banhei de lagrimaas.Quando algo me doía nós nos condoiamos e bailavamos aos sons...o dia mais bonito que pra mim existiu naquela margem do caminho da vida que no meu passo falso cambaleante e cansado eu tropeçei e levantaste-me .abriste-me os olhos e me deste a chave.Entrei e me vi sufocada de tantas coisas juntas vi tudo o que tinha vivido até ali,libertei os grilhoes das coisas presas e descobri que nao tinha mais onde segurar e sufoquei outra vez ,.Entao me deste a mao e me guiaste ,eu emergi .E no fim algo branco no fim do tunel ,cheiro de grafite sujando o branco.O branco inundou-se de cinzas.Talvez carvao talvez diamante ,talvez cristal lapidado pela agua do mar.
    tuas maos brincam com o fogo ,com a agua,com o ceu ,com as paisagens...
    brincam com os animais ,as plantas e toda especie de seres vivos ...
    tuas maos brincam com os homens ,os arcanjos e o mal...e os seres mais fantasticos ...
    tuas maos brincam comigo me acariciam como um bafo leve de fogo ,me batem como as ondas fortes da mare alta ,elas tambem sao quentes ...quentes como as tuas maos sobre o meu eu...cansado e sempre sufocado...perdido e ainda uma vez reencontrado...
    toda sorte de bobagens ,todo um mundo de inconcistencias e inconciencias ...
    e tuas maos ...
    toda vida cotidiana e tuas maos a me salvear dela ...
    um desespero ...algo suaviza...nesse momento em que a sufocaçao ,sufoca a mim e ati unimo-nos num só...
    vejo o branco...
    sinto o velho cheiro...
    grafite e cinza...
    vejo pontas...coisas sobre o branco...
    enfim...a escrita...





    Priscilla Falcao

    [+/-]

    Literatura em expressão

    Expressão que advém de uma imaginação singular
    aliada a desejo dedicado no ofício de escrever.
    Expressão ímpar que burla tratados e extrapola limites,
    inclusive os traços primeiros, objetivos perdidos.
    Expressão que perdura por apreender delírios mágicos,
    devaneios apaixonados de uma febre criadora.
    Literatura como que num êxtase irrompe louca,
    no papel não se basta.
    Fera que é não admite armários,
    jaulas, cômodos organizados, vai além da razão.
                                                         

    [+/-]

    Diálogo com a página em branco

    Ela está lá. Sempre a me falar. Diz tantas coisas, coisas tão belas, da ordem do infinito. É sem dúvida muito tagarela, mas não tem cérebro.  Não aguento ficar em sua frente, com tantas palavras borbulhando, pulando pra fora, saltitando feito adolescentes desorientadas. Persigo-as e elas sempre escorregam. “Saem pela culatra”. E ela está sempre a me dizer coisas sobre muitas coisas. E é difícil saber o que ela me fala, do que ela me fala. Os tímpanos de minha mente são quase perfurados pela sua tagarelice e não me vem o raciocínio. Nada me vem ou tudo vem ao mesmo tempo.
    A folha branca é uma maldita. Nunca diz bem as coisas.  Fala sempre por metades. Tem a voz truncada. E às vezes quase não tem voz. Mas não é porque ela calou não. Ela nunca cala. É safada. É tresloucada. Inconsciente e ciente dos danos que me causa. Danada.
    E o meu papel é tentar enganá-la. Tenho que trapaceá-la. Cada palavra que ela profere, e são sempre aos montes, deve ser atada a outra, para que assim, façam sentido. Mas não dá. Chego a pensar se não seria impossível juntá-las bem bonitas, atá-las uma a uma como os nós de uma rede de pesca. Formando losangos bonitos, simétricos embora um pouco arredondados. Mas elas não deixam. Não são da ordem dos losangos, talvez. São da ordem de si mesmas. Então vou juntando as que a meu ver são parecidas, que chegam a significar seja lá o que for. E é aí que eu acho que ficam mais bonitas na desordem mesmo.
    E continuo. Desisto dos losangos e parto pra outras formas geométricas ou ageométricas, ou não-formas. O importante pra mim é sempre estar em contato com essas palavras que diz a página em branco. Às vezes apenas a escuto. Ouço, ouço, ouço, ouço. Vejo os pulos das letrinhas, os pulões das palavras. Contemplo. Ouço. Amo-as. Chamo-as. Canto-as. Encanto-me. Cantam-me. Cato-as.


    Keyla Freires

    [+/-]

    Falho ato da escrita




    Cresce. Verte a imagem.
    Desce. Observa a branca planície.
    Desafio. Linha tênue atijolada
    Burburinho
                        No fim da estrada amarelada.

    E devastada, a memória não dispara.
    Labiríntica, és mãe acorrentada,
    Não desata quando quer
                                 sim
                          quando falta.                  

    Nathan Matos

    [+/-]

    I Found a Reason

    Sempre que aquela angústia se espalha por seu corpo sob a forma de um formigamento virulento, seu “eu” torna-se “ela”. O embrião encharcado de sangue, vida e vísceras transporta-se para a esfera da palavra, multiplicando suas células e (des)organizando-se em um mundo etéreo, com sua própria estrutura atômica, nessa desordenada alquimia do impalpável.

    Esse tremor musicado pela melodia das palavras as transcende; transcende o “ela”. Suas ondas sonoras atingem os confins do inefável e escapam às suas mãos.

    Atormentada por essa melodia, ela tenta torná-la concreta tecendo a escritura. Mas dar forma a uma massa amorfa é uma caminhada trôpega e desencontrada: é o fio de Ariadne que não encontra a solução do labirinto; é a manta de Penélope que é construída e desfeita a cada dia; é tecer o infinito sem o julgamento das Moiras para determinar seu desfecho.

    E nessa busca em espiral, Ela sente que o propósito de tecer é voltar à paz amniótica do embrião em seu início. É, num mundo onírico infantil, a luta para atravessar os sete céus e aprisionar um punhado de poeira das estrelas nas mãos.

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