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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!
Mostrando postagens com marcador Nathan Matos. Mostrar todas as postagens
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Dose

E no desmantelo da tarde tudo acabou:. a casa caiu, buraco no chão, tem gente no rio, prédio afundou. quem mandou deus quebrar o mundo em dois? em três? já ouviu dizer que o mundo está pior do que bolacha de água e sal? mais esfarelado do que quando o diabo manda? O diabo não manda, atenta. Atenta... atenta pras coisas horrorosas que deus faz, querendo inventar de mudar o mundo assim na hora que lhe apraz. Rapaz, diga isso não. Digo! e grito: deus sabe de nada, quando falta farinha e feijão, bate logo o pé, criando terremoto, maremoto e traz tudo que é de coisa ruim pra esse mundo, miudinho, como se fosse o chaveiro dele. Tu pensa que é quem? Eu sou qualquer um, só não sou cabra ruim feito deus. Rapaz... Se deus fosse gente num tinha nome não, era um marginal de ocasião. Homem, já te disse, diga isso de deus não, vão cair em cima com bala e punhal. Digo e falo pra quem quiser me matar, deus só é deus porque o diabo não é o cão.

Nathan Matos
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Memória(r)


satirizo.
pernas pro ar, cabelos ao ar, tudo jogado
tudo sentido, sem sentido, embaralhar

enquanto a minha ira persegue
as lembranças discernem,
e não são laçadas, trançadas, enjauladas, se perdem

ecoa num balançar antigo, findo
sem limite, a dor e a falta
da sorte de não lembrar

morto. solto, no Infundo chão. Ecoa. Sem fundo.oa.oa.oa.
e ela ainda se ria quando cantava satirizando minha ira
                        na beira do sem fundo chão

coisa esquisita – relembrar
plasmar no seu eu – aguardar
ulular para a lua – se entregar

a memória persegue – inverte – subverte
o pensamento fugidio
destroça os tijolos, levanta as cortinas, esconde as imagens
            do imaginar
filha safada da inconsciência que me deixa irado,
            mas não te renego – maldita
                                           – o que quero
                                                    é
                                               memoriar.

Nathan Matos
Read More 1 Comment | Postado por Tecendo a Escritura

Eu te alcanço!


Na estrada amarela dos cercados cercantes, caminho calmo e solidário. ninguém aparece. a estrada é longa, não tenho pressa. curvas não há, ladeiras, por vezes. caminho. caminho. cataventos. cercas. sem caminhos. única reta desconcertando meu ser. êta estrada sem fim, o que é que vou fazer? na noite, no dia, a reta permanece calma e fugidia. a brisa lenta, o vento forte, sem tufões ou furacões, longe de desastres físicos, intempestuosos. quando durmo, espaço o tempo, admiro o absurdo e acordo trêmulo, suspirando medo. não, não me pergunto onde. dormir no meio da estrada amarela não vou. Foram anos, nem sei quantos e como ali chegou. o andante, caminhante, anda, tresvario, endoidando. o Amor que lhe chamou. a estrada é mesmo sem fim, meio sem cor. ele é que viu um pássaro fujão e pensou ser um beijaflor de cor amarela, olhou pra estrada e a ourou. Mesmo sabendo, digo, Essa estrada tem fim, tem curva, saliência, buraco no meio dela, uma hora há de vir. nem me lembro mais quem me chamou. Ecoa o vento Amor...or...or... Olho os lados, cercas, cercas, cercas, cercas, cercas, acordou. O horizonte acordou! Cria jeito de gente! vailamedeus! Correu, correu, passou dia, passou noite, cansou. Vi uma curva, tenho certeza, não é oásis, nem fortaleza, vi um vulto que ali dobrou, Eu te alcanço, maldito Amor!

Nathan Matos
Read More 2 comentários | Postado por Tecendo a Escritura

Felicidade


no cabaré a puta sorria...

Nathan Matos
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Dragões

Mas não eram dragões?
Enlouqueceu Sancho?

Nathan Matos
Read More 1 Comment | Postado por Tecendo a Escritura

Brasil


Terra à vista, gritou Cabral.
E nadou em direção às índias.

Nathan Matos
Read More 0 comentários | Postado por Tecendo a Escritura

Falho ato da escrita




Cresce. Verte a imagem.
Desce. Observa a branca planície.
Desafio. Linha tênue atijolada
Burburinho
                    No fim da estrada amarelada.

E devastada, a memória não dispara.
Labiríntica, és mãe acorrentada,
Não desata quando quer
                             sim
                      quando falta.                  

Nathan Matos
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    Nathan Matos

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    Memória(r)


    satirizo.
    pernas pro ar, cabelos ao ar, tudo jogado
    tudo sentido, sem sentido, embaralhar

    enquanto a minha ira persegue
    as lembranças discernem,
    e não são laçadas, trançadas, enjauladas, se perdem

    ecoa num balançar antigo, findo
    sem limite, a dor e a falta
    da sorte de não lembrar

    morto. solto, no Infundo chão. Ecoa. Sem fundo.oa.oa.oa.
    e ela ainda se ria quando cantava satirizando minha ira
                            na beira do sem fundo chão

    coisa esquisita – relembrar
    plasmar no seu eu – aguardar
    ulular para a lua – se entregar

    a memória persegue – inverte – subverte
    o pensamento fugidio
    destroça os tijolos, levanta as cortinas, esconde as imagens
                do imaginar
    filha safada da inconsciência que me deixa irado,
                mas não te renego – maldita
                                               – o que quero
                                                        é
                                                   memoriar.

    Nathan Matos

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    Eu te alcanço!


    Na estrada amarela dos cercados cercantes, caminho calmo e solidário. ninguém aparece. a estrada é longa, não tenho pressa. curvas não há, ladeiras, por vezes. caminho. caminho. cataventos. cercas. sem caminhos. única reta desconcertando meu ser. êta estrada sem fim, o que é que vou fazer? na noite, no dia, a reta permanece calma e fugidia. a brisa lenta, o vento forte, sem tufões ou furacões, longe de desastres físicos, intempestuosos. quando durmo, espaço o tempo, admiro o absurdo e acordo trêmulo, suspirando medo. não, não me pergunto onde. dormir no meio da estrada amarela não vou. Foram anos, nem sei quantos e como ali chegou. o andante, caminhante, anda, tresvario, endoidando. o Amor que lhe chamou. a estrada é mesmo sem fim, meio sem cor. ele é que viu um pássaro fujão e pensou ser um beijaflor de cor amarela, olhou pra estrada e a ourou. Mesmo sabendo, digo, Essa estrada tem fim, tem curva, saliência, buraco no meio dela, uma hora há de vir. nem me lembro mais quem me chamou. Ecoa o vento Amor...or...or... Olho os lados, cercas, cercas, cercas, cercas, cercas, acordou. O horizonte acordou! Cria jeito de gente! vailamedeus! Correu, correu, passou dia, passou noite, cansou. Vi uma curva, tenho certeza, não é oásis, nem fortaleza, vi um vulto que ali dobrou, Eu te alcanço, maldito Amor!

    Nathan Matos

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    Felicidade


    no cabaré a puta sorria...

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    Dragões

    Mas não eram dragões?
    Enlouqueceu Sancho?

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    Brasil


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                        No fim da estrada amarelada.

    E devastada, a memória não dispara.
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