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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!
Mostrando postagens com marcador Memória. Mostrar todas as postagens
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Fujo das lembranças
Minha mente, eterna traiçoeira,
Esmaga a rosa de minha vida
E só se prende a espinhos, lágrimas,
Sangue.

Persigo momentos cobertos de sorrisos
Mas, quando encontro, só me restam sombras,
Só me restam traços, letras, sussurros,
Ilusão e incerteza, minha herança é
Nevoeiro.
Camila Sâmia
Read More 0 comentários | Postado por Tecendo a Escritura

Amadurecer

Começa a florescer
O desejo de crescer
No espaço extenso da liberdade.

Atitudes contrárias
Ao que já se tinha dito
De concreto no pensamento.

Já não é mais pecado
E dito sem medo
Aos que escondem o desejo.

Acrescentar à vida
a medida certa
dos pensamentos contidos.
Read More 0 comentários | Postado por Tecendo a Escritura

Memória

A grande verdade é que eu vivo de memória. Minha vida é feita de uma constante batalha contra as lembranças: para apagá-las, para guardá-las e sobretudo para vivê-las. E essas memórias são feitas principalmente de pessoas. Guardo as primeiras vezes impregnadas pelos detalhes mais triviais de todas as mulheres que amei, de modo que luto contra a névoa espessa e difusa da memória para evitar que os astros prateados de cada lembrança escapem dos meus dedos.

Eles propagam seu brilho há anos-luz daqui. Em cada um deles seu lusco-fusco cintilante me lembra de cartas, conversas, abraços, beijos, cheiros, pele, braços – vontade de enlaçar-se nesses braços – vozes, bocas, corpos. E todos esses astros são pérolas encrustadas no meu coração. Logo, arrancá-los implicaria num sofrimento sangrento. Pessoas, assim como lembranças, são únicas, e não podem ser alienadas.

Algumas dessas pérolas precisaram ser arrancadas com a violência que se rasga uma ostra, mas para preservação de mim mesmo. Hoje elas estão perdidas no buraco negro da memória, e, por mais que eu tente chamá-las, elas já foram aglutinadas para virar ondas-gama nos confins do passado. Afinal, assim como a vida se decompõe, nem as pérolas escapam ao nada. 

Sofro com lembranças persistentes, perdidas ou roubadas, que sucederam-se em outras vidas. Mas não há nada pior do que não viver as lembranças que eu mesmo criei. As que nasceram do meu próprio coração e estão doendo, esperando para serem vividas.

E então lembro dos teus olhos coloridos de azul-calmaria. Afinal, todo o teu corpo é calma e fragilidade.
Logo fui arrastado pela correnteza do teu azul aquático, e tudo o que minhas parcas estrelas-vagalume conseguem brilhar no vão dilatado da minha memória são abraços desconcertados, teus olhos brilhantes, que me negavam em tons de verde, azul e cinza; pedaços de uma sequência ébria que em vão ainda tento reconstruir. 

E no meu coração os astros de futuras memórias agonizam como bebês que nascem mortos. Porque todos os sóis, corações e desenhos que fiz pra você ainda estão na minha gaveta. Todas as serenatas ainda vão esperar mortificadas garganta adentro, de mão dadas com as cordas silenciadas do meu violão. 

Existe mal mais feroz do que amar lembranças do desconhecido?
Read More 0 comentários | Postado por Tecendo a Escritura

Sempre que fico absorto
Naquelas negras memórias
Sinto que aos poucos morro.

Elas remetem ao momento
Em que tu, sem nenhum escrúpulo,
Magoou-me os sentimentos.

Maldita seja essa hora
Em que decretaste
A destruição de nossas vidas

E maldita seja a memória
Que hoje tu me deixaste
E que nunca deixa sarar a ferida.

                                                         Ana Claudia
Read More 0 comentários | Postado por Tecendo a Escritura

Memória(r)


satirizo.
pernas pro ar, cabelos ao ar, tudo jogado
tudo sentido, sem sentido, embaralhar

enquanto a minha ira persegue
as lembranças discernem,
e não são laçadas, trançadas, enjauladas, se perdem

ecoa num balançar antigo, findo
sem limite, a dor e a falta
da sorte de não lembrar

morto. solto, no Infundo chão. Ecoa. Sem fundo.oa.oa.oa.
e ela ainda se ria quando cantava satirizando minha ira
                        na beira do sem fundo chão

coisa esquisita – relembrar
plasmar no seu eu – aguardar
ulular para a lua – se entregar

a memória persegue – inverte – subverte
o pensamento fugidio
destroça os tijolos, levanta as cortinas, esconde as imagens
            do imaginar
filha safada da inconsciência que me deixa irado,
            mas não te renego – maldita
                                           – o que quero
                                                    é
                                               memoriar.

Nathan Matos
Read More 1 Comment | Postado por Tecendo a Escritura

Má sorte do desejo

Magnífico instante, este que vivo, em que me perco
Os laços do desejo o querem atado, inteiro
Estão sempre a agarrá-lo, não, querem a fundo conhecê-lo.
Concebê-lo.
São pensamento,
Vão movimento.
Atado está pela memória.
Que dele só libera fagulhas de espelho.
Cortam-se os fios do desejo,
Tem-se apenas faíscas do nosso beijo
Que em vão tento sempre lembrar
Quanto mais forço o tentar
Sempre um pouco mais esqueço.
Keyla Freires
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    [+/-]

    Fujo das lembranças
    Minha mente, eterna traiçoeira,
    Esmaga a rosa de minha vida
    E só se prende a espinhos, lágrimas,
    Sangue.

    Persigo momentos cobertos de sorrisos
    Mas, quando encontro, só me restam sombras,
    Só me restam traços, letras, sussurros,
    Ilusão e incerteza, minha herança é
    Nevoeiro.
    Camila Sâmia

    [+/-]

    Amadurecer

    Começa a florescer
    O desejo de crescer
    No espaço extenso da liberdade.

    Atitudes contrárias
    Ao que já se tinha dito
    De concreto no pensamento.

    Já não é mais pecado
    E dito sem medo
    Aos que escondem o desejo.

    Acrescentar à vida
    a medida certa
    dos pensamentos contidos.

    [+/-]

    Memória

    A grande verdade é que eu vivo de memória. Minha vida é feita de uma constante batalha contra as lembranças: para apagá-las, para guardá-las e sobretudo para vivê-las. E essas memórias são feitas principalmente de pessoas. Guardo as primeiras vezes impregnadas pelos detalhes mais triviais de todas as mulheres que amei, de modo que luto contra a névoa espessa e difusa da memória para evitar que os astros prateados de cada lembrança escapem dos meus dedos.

    Eles propagam seu brilho há anos-luz daqui. Em cada um deles seu lusco-fusco cintilante me lembra de cartas, conversas, abraços, beijos, cheiros, pele, braços – vontade de enlaçar-se nesses braços – vozes, bocas, corpos. E todos esses astros são pérolas encrustadas no meu coração. Logo, arrancá-los implicaria num sofrimento sangrento. Pessoas, assim como lembranças, são únicas, e não podem ser alienadas.

    Algumas dessas pérolas precisaram ser arrancadas com a violência que se rasga uma ostra, mas para preservação de mim mesmo. Hoje elas estão perdidas no buraco negro da memória, e, por mais que eu tente chamá-las, elas já foram aglutinadas para virar ondas-gama nos confins do passado. Afinal, assim como a vida se decompõe, nem as pérolas escapam ao nada. 

    Sofro com lembranças persistentes, perdidas ou roubadas, que sucederam-se em outras vidas. Mas não há nada pior do que não viver as lembranças que eu mesmo criei. As que nasceram do meu próprio coração e estão doendo, esperando para serem vividas.

    E então lembro dos teus olhos coloridos de azul-calmaria. Afinal, todo o teu corpo é calma e fragilidade.
    Logo fui arrastado pela correnteza do teu azul aquático, e tudo o que minhas parcas estrelas-vagalume conseguem brilhar no vão dilatado da minha memória são abraços desconcertados, teus olhos brilhantes, que me negavam em tons de verde, azul e cinza; pedaços de uma sequência ébria que em vão ainda tento reconstruir. 

    E no meu coração os astros de futuras memórias agonizam como bebês que nascem mortos. Porque todos os sóis, corações e desenhos que fiz pra você ainda estão na minha gaveta. Todas as serenatas ainda vão esperar mortificadas garganta adentro, de mão dadas com as cordas silenciadas do meu violão. 

    Existe mal mais feroz do que amar lembranças do desconhecido?

    [+/-]


    Sempre que fico absorto
    Naquelas negras memórias
    Sinto que aos poucos morro.

    Elas remetem ao momento
    Em que tu, sem nenhum escrúpulo,
    Magoou-me os sentimentos.

    Maldita seja essa hora
    Em que decretaste
    A destruição de nossas vidas

    E maldita seja a memória
    Que hoje tu me deixaste
    E que nunca deixa sarar a ferida.

                                                             Ana Claudia

    [+/-]

    Memória(r)


    satirizo.
    pernas pro ar, cabelos ao ar, tudo jogado
    tudo sentido, sem sentido, embaralhar

    enquanto a minha ira persegue
    as lembranças discernem,
    e não são laçadas, trançadas, enjauladas, se perdem

    ecoa num balançar antigo, findo
    sem limite, a dor e a falta
    da sorte de não lembrar

    morto. solto, no Infundo chão. Ecoa. Sem fundo.oa.oa.oa.
    e ela ainda se ria quando cantava satirizando minha ira
                            na beira do sem fundo chão

    coisa esquisita – relembrar
    plasmar no seu eu – aguardar
    ulular para a lua – se entregar

    a memória persegue – inverte – subverte
    o pensamento fugidio
    destroça os tijolos, levanta as cortinas, esconde as imagens
                do imaginar
    filha safada da inconsciência que me deixa irado,
                mas não te renego – maldita
                                               – o que quero
                                                        é
                                                   memoriar.

    Nathan Matos

    [+/-]

    Má sorte do desejo

    Magnífico instante, este que vivo, em que me perco
    Os laços do desejo o querem atado, inteiro
    Estão sempre a agarrá-lo, não, querem a fundo conhecê-lo.
    Concebê-lo.
    São pensamento,
    Vão movimento.
    Atado está pela memória.
    Que dele só libera fagulhas de espelho.
    Cortam-se os fios do desejo,
    Tem-se apenas faíscas do nosso beijo
    Que em vão tento sempre lembrar
    Quanto mais forço o tentar
    Sempre um pouco mais esqueço.
    Keyla Freires

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