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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!
Mostrando postagens com marcador Luciana Braga. Mostrar todas as postagens
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“Conversando aos infinitos”



—Diga-me que é para sempre.
—Não posso dizer o que não depende de mim.
—Transborde um pouco do que sente.
—Não posso transbordar aquilo que não tem fim.

—Faça-me sentir pelo menos uma vez.
—Uma vez não basta, gostoso é não ter fim.
—Espero que saiba o que você fez.
—Não sei o que fiz, nem sei o que faço de mim.

—Abraça-me com braços e palavras.
—Palavras não servem para esse fim.
—Explica-me para que servem as palavras.
—Elas servem para esconder e revelar tudo o que há em mim.

(Luciana Braga...)
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"Paixão"

Amo-te ainda e lembro-me dos beijos
Das noites inesquecíveis e loucas
Ainda possuo a glória dos desejos
Na saudade imortal das nossas bocas.

De toda aquela paixão que me devora
Que me faz até perder o medo
E viver somente por contar as horas
Para nos encontrarmos em segredo.

Lembro-me da glória das estrelas
E do esplendor da lua intensa
Depois de ti nunca mais fui vê-las.

Pois perderam para mim sua fascinação
Pois até essa nossa paixão imensa
Fugiu da realidade para o coração.


(Luciana Braga)

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"Paixão"

Amo-te ainda e lembro-me dos beijos
Das noites inesquecíveis e loucas
Ainda possuo a glória dos desejos
Na saudade imortal das nossas bocas.

De toda aquela paixão que me devora
Que me faz até perder o medo
E viver somente por contar as horas
Para nos encontrarmos em segredo.

Lembro-me da glória das estrelas
E do esplendor da lua intensa
Depois de ti nunca mais fui vê-las.

Pois perderam para mim sua fascinação
Pois até essa nossa paixão imensa
Fugiu da realidade para o coração.

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Pensando no ato de escrever: “Um pedido irrecusável”

Hoje é domingo, o relógio marca nove horas em ponto. Todos saíram para ir à praia e eu fiquei aqui sozinho, sentado na minha velha cadeira, olhando para aquele aflito papel em branco. Em pleno século XXI e eu ainda tenho esse costume de escrever ao invés de digitar. Escrevo, mesmo que tenha que digitar ao final. Acho que ainda acredito que o lápis, com seu grafite opaco, como minhas ideias nesse momento, inspiram-me muito mais do que aquela tela fria do computador e aquele teclado, cujos ruídos ao ser usado tanto incomoda a minha mãe, que é viciada em silêncio.
Contudo, hoje eu não escrevo por necessidade pessoal, para por para fora minhas angústias ou me perder nos labirintos formados pelas palavras, que parecem bichos com vida própria.
Escrevo, porque a Marina me pediu. Ah, essas mulheres adoram nos pedir o impossível! Quisera eu que ela tivesse me pedido um vestido novo ou um anel de brilhantes. Mas, ela me pediu um poema.
Meu Deus, será que ela não sabe que poema não se pede, não se encomenda, não se compra, nem se conquista?
Poema tem que sair de dentro da alma, mas fazendo uma paradinha no nosso cérebro, que é pra ver se ganha sentido ou se confunde mais ainda e se transforma num grande poema.
O pior é que ela me disse exatamente o que queria: “Quero um poema com o título ‘Como explicar o amor? ’, você faz?”
(Como eu ia dizer não, se a amava em segredo há sete meses, e esse era o primeiro pedido dela?!).
Então disse que faria o bendito poema, ou maldito poema, pois desde as cinco da manhã que eu estou sentado aqui e nada. Já escrevi, apaguei, escrevi e apaguei de novo, já rasguei quase todas as folhas do meu caderno e nada... Na cabeça só um pensamento: “Por que ela não me pediu um vestido?”
Bom, pelo menos o título eu tinha, e isso é tão esquisito, pois para mim o título deve vir no fim de tudo, depois de todo o desespero, quando a gente sorrir e diz: “Terminei!”, aí ele vem como uma cereja num bolo confeitado.
Meio dia, nem tinha comido nada ainda... Mas como comer se nem um versinho sequer eu tinha?
Foi então que eu pensei o óbvio: “Amor não se explica, ué!”, pois tantos poetas tentaram, mas sempre fica algo inacabado.
Então, eu escrevi:
Como explicar o amor?
...mas ele é inexplicável...
E saí de casa em disparada para levar o poema ao seu destino: as mãos de Marina. Na cabeça, um turbilhão de ideias, o coração batendo acelerado. Mas, a dúvida gritou em meus ouvidos: “E se ela não gostar?”
(Paciência! Não dá pra escrever sob encomenda!)
Então, diminui os passos e fui caminhando lentamente, e o caminho era como os meus pensamentos, parecia não ter mais fim.

Luciana Braga (Em: 16.08.10).

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Aquele que eu amo

Aquele que eu amo tem cheiro de hortelã
Não me olha nos olhos, mas sabe o que eu sinto
Aquele que eu amo me abraça toda manhã
Sabe o que eu quero, o que eu sou e pressinto.

Aquele que eu amo vive na minha memória
Não faz parte dessa história que um dia eu escrevi
Aquele que eu amo conhece minha trajetória
E sabe que tudo que eu sonho, eu mesma nunca vi.

E quando tento descrevê-lo é grandioso o sofrimento
Faltam-me palavras, ainda que sobre inspiração
Pois aquele que eu amo é fugidio como o vento
Confuso em minha memória, limite do sim e do não.

Com aquele que eu amo vivi cada momento
Cada doce sentimento que é impossível recontar
Pois cada descrição é outro acontecimento
Assim como são inúmeras as formas de se amar.

Luciana Braga (22.09.10).
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Suplício

Quando as lágrimas faltam e temos que completar o silêncio com as palavras.
Luciana Braga (Em 29. 09.10).
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Mulher

           Aos cinquenta, ela pensa: "Não deveria ter deixado que o fogo da razão transformasse em cinza os meus selvagens sonhos puros".

Luciana Braga (29.09.10).
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UM POEMA DE AMOR


Foram tantos poemas escritos para você
Pensando em seus beijos e na minha sorte
Que agora já não sei o que fazer
Não consigo entender essa ideia de morte.

Foram tantas palavras ditas em momentos de prazer
Tantas noites loucas que não voltam mais
Sentimentos e sensações que só tive com você
E agora sem ti, sinto que já não sou capaz.

E já não sou capaz de me entregar outra vez
Fazer das tuas fantasias momentos de realidade
Já não sou capaz de esquecer tudo o que você fez
Nem quero apagar nenhum momento de felicidade.

Sei que se você estivesse aqui ouvindo o que eu digo
Lembraria também dos grandes momentos de dor
Mas, sempre iria concordar intensamente comigo
Que nem só de espinhos se compõe uma flor.

Luciana Braga. (Em: 01/09/10).
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"A FORÇA DO MAR"

Beatriz morava em uma típica cidadezinha do interior, com seus bichos, plantas, lagos, montanhas e um infinito céu azul. Adorava o lugar em que vivia, mas sentia falta de uma coisa que ela só conhecia por causa dos livros e da televisão: o mar.
Dom Casmurro era o livro que ela mais gostava, sobretudo, pela presença constante do mar. Beatriz nunca vira descrição mais profunda quanto àquela dos “olhos de ressaca”, que tanto a inquietavam e fascinavam.
Ela sempre teve um desejo intenso de um dia conhecer o mar. Quando lhe perguntavam o porquê de tal desejo, ela dizia: “Quero conhecer o mar, por que deve ser algo esplêndido, colossal. Acho fascinante o movimento que das águas revoltas e o barulho que a onda faz quando quebra ou bate em uma insistente pedra que cisma em cruzar se caminho, é tão vibrante quanto as batidas de um coração apaixonado.”
Quando sua mãe ouvia isso, dizia apenas: “Deixe de sonhos bobos, menina, e vá procurar o quê fazer!”
Mas, para ela não era um sonho bobo, ao contrário, era o encontro do infinito, pois ela era como uma ave que almeja realizar vários vôos, ainda que insistam em cortar suas asas.
Cortando-se as asas se impede o vôo imediato, mas não aniquila o desejo, e de tanto desejar conhecer o mar, Beatriz, certo dia sonhou... Sonhou que o mar se apresentava a sua frente, e como fizera uma mocinha loira de um filme que ela assistira certa vez, correu ao encontro do mar. Correu com tanta força, desejo e determinação que quando se deu conta já estava com o corpo quase todo molhado daquela água fria, diferente, inquieta, espumante e salgada, provocando-lhe sensações que nunca tivera antes.
O mar a envolvia como um abraço suplicante e insistentemente a puxava para dentro de si. Ela de tão envolvida e emocionada que estava nem se dava conta do perigo, simplesmente avançava como um coração desavisado e quando lembrou que nunca aprendera a nadar, sentiu um abraço apertado, sufocante, como se fosse uma serpente a envolvê-la por inteiro e sentiu pela última vez o movimento que a onda faz, levantando-nos para o alto, forçando-nos a pular, até que se afogou e conheceu as profundezas ocultas da morte.
Beatriz acordou cansada por conta das lutas incessantes para reencontrar aquela pequena luz, que ela via em sonho quando estava chegando às profundezas. Sentiu na boca um gosto salgado de morte, mas nem por isso deixou de desejar conhecer o mar, pois aquele abraço que a envolvera, aparentemente a prendendo também, fornecia-lhe uma infinita libertação que só se encontra nos inexplicáveis sonhos.

Luciana Braga. (Em: 25/08/10).
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"A Arte" inspirada no "Os corvos"

Perguntaram-me certo dia
-Onde está a arte?
-Ela é consolo ou agonia?
Ora, a arte está em toda a parte
Em cada verso, em cada melodia...
A arte está em um sorriso
Mas, ela também está no pranto
Compreendê-la não é preciso
Basta vê-la como um manto.

-Um manto que possa nos cobrir?
Mas, nunca nos proteger do frio
Meu querido! A arte é para se sentir
Não como um beijo, mas um arrepio.

E quanto ao que me perguntares
Se ela é consolo ou agonia
Eu diria que ela é como aqueles mares
Revoltos a nossa revelia.

Diria que ela é inquietação fatal
E que se queres consolo procures quem te ama
Pois a arte profunda sempre perturba no final
E ao invés de apagar, reacende a chama.

Luciana Braga.(Em 18/08/10).
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    —Não posso transbordar aquilo que não tem fim.

    —Faça-me sentir pelo menos uma vez.
    —Uma vez não basta, gostoso é não ter fim.
    —Espero que saiba o que você fez.
    —Não sei o que fiz, nem sei o que faço de mim.

    —Abraça-me com braços e palavras.
    —Palavras não servem para esse fim.
    —Explica-me para que servem as palavras.
    —Elas servem para esconder e revelar tudo o que há em mim.

    (Luciana Braga...)

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    Amo-te ainda e lembro-me dos beijos
    Das noites inesquecíveis e loucas
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    De toda aquela paixão que me devora
    Que me faz até perder o medo
    E viver somente por contar as horas
    Para nos encontrarmos em segredo.

    Lembro-me da glória das estrelas
    E do esplendor da lua intensa
    Depois de ti nunca mais fui vê-las.

    Pois perderam para mim sua fascinação
    Pois até essa nossa paixão imensa
    Fugiu da realidade para o coração.


    (Luciana Braga)

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    Na saudade imortal das nossas bocas.

    De toda aquela paixão que me devora
    Que me faz até perder o medo
    E viver somente por contar as horas
    Para nos encontrarmos em segredo.

    Lembro-me da glória das estrelas
    E do esplendor da lua intensa
    Depois de ti nunca mais fui vê-las.

    Pois perderam para mim sua fascinação
    Pois até essa nossa paixão imensa
    Fugiu da realidade para o coração.

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    Hoje é domingo, o relógio marca nove horas em ponto. Todos saíram para ir à praia e eu fiquei aqui sozinho, sentado na minha velha cadeira, olhando para aquele aflito papel em branco. Em pleno século XXI e eu ainda tenho esse costume de escrever ao invés de digitar. Escrevo, mesmo que tenha que digitar ao final. Acho que ainda acredito que o lápis, com seu grafite opaco, como minhas ideias nesse momento, inspiram-me muito mais do que aquela tela fria do computador e aquele teclado, cujos ruídos ao ser usado tanto incomoda a minha mãe, que é viciada em silêncio.
    Contudo, hoje eu não escrevo por necessidade pessoal, para por para fora minhas angústias ou me perder nos labirintos formados pelas palavras, que parecem bichos com vida própria.
    Escrevo, porque a Marina me pediu. Ah, essas mulheres adoram nos pedir o impossível! Quisera eu que ela tivesse me pedido um vestido novo ou um anel de brilhantes. Mas, ela me pediu um poema.
    Meu Deus, será que ela não sabe que poema não se pede, não se encomenda, não se compra, nem se conquista?
    Poema tem que sair de dentro da alma, mas fazendo uma paradinha no nosso cérebro, que é pra ver se ganha sentido ou se confunde mais ainda e se transforma num grande poema.
    O pior é que ela me disse exatamente o que queria: “Quero um poema com o título ‘Como explicar o amor? ’, você faz?”
    (Como eu ia dizer não, se a amava em segredo há sete meses, e esse era o primeiro pedido dela?!).
    Então disse que faria o bendito poema, ou maldito poema, pois desde as cinco da manhã que eu estou sentado aqui e nada. Já escrevi, apaguei, escrevi e apaguei de novo, já rasguei quase todas as folhas do meu caderno e nada... Na cabeça só um pensamento: “Por que ela não me pediu um vestido?”
    Bom, pelo menos o título eu tinha, e isso é tão esquisito, pois para mim o título deve vir no fim de tudo, depois de todo o desespero, quando a gente sorrir e diz: “Terminei!”, aí ele vem como uma cereja num bolo confeitado.
    Meio dia, nem tinha comido nada ainda... Mas como comer se nem um versinho sequer eu tinha?
    Foi então que eu pensei o óbvio: “Amor não se explica, ué!”, pois tantos poetas tentaram, mas sempre fica algo inacabado.
    Então, eu escrevi:
    Como explicar o amor?
    ...mas ele é inexplicável...
    E saí de casa em disparada para levar o poema ao seu destino: as mãos de Marina. Na cabeça, um turbilhão de ideias, o coração batendo acelerado. Mas, a dúvida gritou em meus ouvidos: “E se ela não gostar?”
    (Paciência! Não dá pra escrever sob encomenda!)
    Então, diminui os passos e fui caminhando lentamente, e o caminho era como os meus pensamentos, parecia não ter mais fim.

    Luciana Braga (Em: 16.08.10).

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    Aquele que eu amo

    Aquele que eu amo tem cheiro de hortelã
    Não me olha nos olhos, mas sabe o que eu sinto
    Aquele que eu amo me abraça toda manhã
    Sabe o que eu quero, o que eu sou e pressinto.

    Aquele que eu amo vive na minha memória
    Não faz parte dessa história que um dia eu escrevi
    Aquele que eu amo conhece minha trajetória
    E sabe que tudo que eu sonho, eu mesma nunca vi.

    E quando tento descrevê-lo é grandioso o sofrimento
    Faltam-me palavras, ainda que sobre inspiração
    Pois aquele que eu amo é fugidio como o vento
    Confuso em minha memória, limite do sim e do não.

    Com aquele que eu amo vivi cada momento
    Cada doce sentimento que é impossível recontar
    Pois cada descrição é outro acontecimento
    Assim como são inúmeras as formas de se amar.

    Luciana Braga (22.09.10).

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    Suplício

    Quando as lágrimas faltam e temos que completar o silêncio com as palavras.
    Luciana Braga (Em 29. 09.10).

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    UM POEMA DE AMOR


    Foram tantos poemas escritos para você
    Pensando em seus beijos e na minha sorte
    Que agora já não sei o que fazer
    Não consigo entender essa ideia de morte.

    Foram tantas palavras ditas em momentos de prazer
    Tantas noites loucas que não voltam mais
    Sentimentos e sensações que só tive com você
    E agora sem ti, sinto que já não sou capaz.

    E já não sou capaz de me entregar outra vez
    Fazer das tuas fantasias momentos de realidade
    Já não sou capaz de esquecer tudo o que você fez
    Nem quero apagar nenhum momento de felicidade.

    Sei que se você estivesse aqui ouvindo o que eu digo
    Lembraria também dos grandes momentos de dor
    Mas, sempre iria concordar intensamente comigo
    Que nem só de espinhos se compõe uma flor.

    Luciana Braga. (Em: 01/09/10).

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    "A FORÇA DO MAR"

    Beatriz morava em uma típica cidadezinha do interior, com seus bichos, plantas, lagos, montanhas e um infinito céu azul. Adorava o lugar em que vivia, mas sentia falta de uma coisa que ela só conhecia por causa dos livros e da televisão: o mar.
    Dom Casmurro era o livro que ela mais gostava, sobretudo, pela presença constante do mar. Beatriz nunca vira descrição mais profunda quanto àquela dos “olhos de ressaca”, que tanto a inquietavam e fascinavam.
    Ela sempre teve um desejo intenso de um dia conhecer o mar. Quando lhe perguntavam o porquê de tal desejo, ela dizia: “Quero conhecer o mar, por que deve ser algo esplêndido, colossal. Acho fascinante o movimento que das águas revoltas e o barulho que a onda faz quando quebra ou bate em uma insistente pedra que cisma em cruzar se caminho, é tão vibrante quanto as batidas de um coração apaixonado.”
    Quando sua mãe ouvia isso, dizia apenas: “Deixe de sonhos bobos, menina, e vá procurar o quê fazer!”
    Mas, para ela não era um sonho bobo, ao contrário, era o encontro do infinito, pois ela era como uma ave que almeja realizar vários vôos, ainda que insistam em cortar suas asas.
    Cortando-se as asas se impede o vôo imediato, mas não aniquila o desejo, e de tanto desejar conhecer o mar, Beatriz, certo dia sonhou... Sonhou que o mar se apresentava a sua frente, e como fizera uma mocinha loira de um filme que ela assistira certa vez, correu ao encontro do mar. Correu com tanta força, desejo e determinação que quando se deu conta já estava com o corpo quase todo molhado daquela água fria, diferente, inquieta, espumante e salgada, provocando-lhe sensações que nunca tivera antes.
    O mar a envolvia como um abraço suplicante e insistentemente a puxava para dentro de si. Ela de tão envolvida e emocionada que estava nem se dava conta do perigo, simplesmente avançava como um coração desavisado e quando lembrou que nunca aprendera a nadar, sentiu um abraço apertado, sufocante, como se fosse uma serpente a envolvê-la por inteiro e sentiu pela última vez o movimento que a onda faz, levantando-nos para o alto, forçando-nos a pular, até que se afogou e conheceu as profundezas ocultas da morte.
    Beatriz acordou cansada por conta das lutas incessantes para reencontrar aquela pequena luz, que ela via em sonho quando estava chegando às profundezas. Sentiu na boca um gosto salgado de morte, mas nem por isso deixou de desejar conhecer o mar, pois aquele abraço que a envolvera, aparentemente a prendendo também, fornecia-lhe uma infinita libertação que só se encontra nos inexplicáveis sonhos.

    Luciana Braga. (Em: 25/08/10).

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    "A Arte" inspirada no "Os corvos"

    Perguntaram-me certo dia
    -Onde está a arte?
    -Ela é consolo ou agonia?
    Ora, a arte está em toda a parte
    Em cada verso, em cada melodia...
    A arte está em um sorriso
    Mas, ela também está no pranto
    Compreendê-la não é preciso
    Basta vê-la como um manto.

    -Um manto que possa nos cobrir?
    Mas, nunca nos proteger do frio
    Meu querido! A arte é para se sentir
    Não como um beijo, mas um arrepio.

    E quanto ao que me perguntares
    Se ela é consolo ou agonia
    Eu diria que ela é como aqueles mares
    Revoltos a nossa revelia.

    Diria que ela é inquietação fatal
    E que se queres consolo procures quem te ama
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