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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!
Mostrando postagens com marcador João Paulo. Mostrar todas as postagens
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O laço de Afrodite




    Júlio era um rapaz que cursava o segundo semestre de direito, era tranqüilo, pacato e não havia namorado nenhuma moça até aquele momento. Não porque não quisesse, mas por querer se aprofundar bastante na área jurídica e conseguir um bom emprego. Queria, afinal, ter uma casa, família, filhos e suas respectivas responsabilidades.
   Certo dia, enquanto fazia anotações em seu livro sobre as explanações do professor encontrou-se observado por uma colega de sala. Imediatamente desviou o olhar e continuou o que estava a fazer. Porém, os olhares perduraram por vários dias, até que Júlio entendesse que a moça estava enviando uma mensagem do tipo: Estou afim de você!
   Ocorreu-lhe após isso uma vontade de também observá-la. Começou de imediato a aquilatar-lhe a beleza. Tinha pernas e quadril torneados, cabelos curtos e louros, olhos verdes, uma tez bronzeada, vestia-se muito bem e, por fim, encantava quem a olhasse. Sua imaginação começou a fervilhar com a idéia de um possível romance, pois já estava na hora e seu corpo cobrava um entrelace amoroso. O ímpeto vinha dos fortes hormônios da mocidade.
   Permaneceu o mesmo por vários dias, ficava com receio de chegar àquela bela garota. Não tinha experiência com mulheres. Ela continuou a flertar com mais intensidade mesmo assim Júlio evitava pensar que todos aqueles olhares eram cobiçosos. Dizia consigo: Ela é muito bonita, não vai querer um cara como eu tímido. Franzino, sem-sal. Deve querer um desses de corpo atlético, garanhões, cafajestes etc.
   Resolveu não pensar mais nisso. Concentrou-se nos estudos. Inopinadamente no intervalo da aula, a garota vem e abruptamente aborda-o e pergunta seu nome.
   Nervoso, boceja: Chamo-me Júlio. E você?
_ Meu nome é Alana, mas todos costumam me chamar de Lana.
_  Prazer Lana.
_ Bom, eu queria dizer que quando te vejo meu corpo fica de um jeito que não sei explicar. Fico louca! Chego a pirar.
Uma forte emoção o possuiu de imediato, ficara desorientado. Não sabia o que responder, apenas balbuciou roufenhamente:
- Você é linda.
Ah, obrigada. Tenho que ir agora para aula, depois vejo você. Tchau 
Júlio continuara imóvel no corredor diante daquela fulminante declaração, mas o seu senso o encaminhou para a aula de direito penal. Dias depois quando andava pela faculdade, um amigo, Wilker, chamou-lhe com um sorriso malicioso.
- Ei cara vi você conversando com Lana. Esta virando um homenzinho heim! O que conversavam? Quero saber!
- Nada, só, assuntos jurídicos. E você como está?
- Estou bem, tenho trabalhado muito, mas estou conseguindo acompanhar as seis disciplinas em que me matriculei. Ah, não mude de assunto, vi os bem juntinhos outra vez e nesse mato tem cachorro.
Naquele momento, Alana cruza e acena com um belo sorriso para os dois. Wilker saboreia-a com os olhos de uma raposa, chegando a salivar. Enquanto que Júlio ficara a repassar em sua mente o último encontro.
- Júlio, tens o número do telefone dela?
- Eu, não.
- Pois toma. Faça bom proveito. Até mais, estou atrasado para a prova.
Não houve tempo nem para Júlio se despedir, quando ensejou agradecer, seu amigo já estava dobrando o corredor. Passara minutos eternos olhando o número, fitava os oito dígitos com uma felicidade de quem ganhara na loteria. Não se deu conta do tempo.
Ao chegar em casa escreveu uma mensagem dizendo o quanto desejava conhecê-la e, em seguida, enviou. Deitou-se na cama com as mãos entrelaçadas por baixo da cabeça apoiando-a confortavelmente Não custou muito e ouviu um toque de uma nova mensagem que continha as seguintes palavras: Adivinha o que quero fazer com você? Chocou-se ao ler. Suas expectativas foram quebradas, pois desejava encetar um namoro com todas as preliminares da conquista, o primeiro beijo e palavras de amor. Adormeceu pensando na mensagem.
Na semana seguinte, seu celular não parava de receber mensagens apaixonadas que reclamavam um encontro ardente. Conversaram horas e horas pelo telefone num envolvente jogo de sedução. Combinaram tudo. Numa quinta-feira, à tarde, ficaram de se encontrar num restaurante às duas horas da tarde. Júlio chegou uns dez minutos de antecedência, sentou-se perto das janelas de vidro do estabelecimento; logo depois encostou um carro e, do interior, Alana chamou-o. Foi ao encontro dela, puxou-a para fora do carro e beijou-a violentamente. Em seguida, entraram no carro. Alana pergunta:
- Você que ir para onde?
- Não sei. Júlio temia em dizer a palavra motel, não se sentia seguro, achava que era precipitado falar naquele momento.
- Diz um lugar legal onde possamos ficar juntinhos. Enquanto dirigia, Alana transpunha sua mão do câmbio da marcha para as pernas dele e acariciava-as excitando-o.
- Deixo por sua escolha.
- Pois então vou levá-lo para um lugar que espero que goste.
O carro parou na entrada de um motel. Entreolharam-se com um sorriso e entraram. Foi uma tarde das mais ardentes e selvagens.
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Veneno



Veneno

      Num sábado à tarde com o sol já decaindo na linha do horizonte, três homens conversavam sentados ao redor de uma mesa com uma aguardente bem branquinha e um prato azul com arroz, feijão, purê e postas de peixes torradinhas. Eles conversavam diversas trivialidades quando chegou um rapaz, bem apessoado e perguntou:
   _ Padrinho, estive estudando um pouco e descobri um método que lista vários nomes de uma coisa, objeto. Lembrei que você sempre chama cachaça de veneno.
  _ Foi? Pois eu não sabia que se chamava veneno, sempre chamei assim por conta própria.
_  Hum, pensei que já tinha ouvido. Mas é bem interessante o método
_  É, Bacana.
Os outros dois homens, ébrios, escutavam a conversa, calados, pois eram pessoas mais simples, um era trabalhador e outro vivia bebendo, definhava por sinal.
_ Afilhado, tive uma idéia. E, direcionando-se para a direita, pergunta para os dois bebinhos:
_ Fala aí um nome para cachaça!
_ Como assim?
_ Fala outro nome para designar essa bebida ora. Quando vai ao bar como você pede? Heim?
_ Ah! Então vamos jogar só entre nós  que estamos bebendo. Com teu afilhado não vale.
O padrinho assentiu.
_ hum... Traz a boa, boa! Inicia o bebinho trabalhador.
_ Ardosa! Responde o padrinho.
_ Vai Evandro, tua vez! Rogou o padrinho com um ar desacreditado.
_ Ah, eu? Hum, a boa!
_ Eu que falei essa! Retrucou o outro
_ Deixa eu ver, pinga! Balbuciou com uma voz lânguida e gutural.
  A cada resposta, eles petiscavam o tira-gosto e tomavam uma dose de água-benta. Até que depois de algumas rodadas a vez recaiu sobre o padrinho e se fiando a buscar em sua memória um nome que não houvesse já se referido. Pensou bastante. De repente, com olhos arregalados disse:
_ Água-que-passarinho-não-bebe. Sorriu triunfante.
Os outros cansados e sem novas palavras, deram-se por vencidos. O padrinho sarcasticamente comemorava sua vitória convidando-os a beber.
_ Meus caros, vamos continuar tomando nosso engasga-gato que meu afilhado já colheu bastantes sinônimos  para seu método onomasiológico. Bebamos!
E os três se esbanjaram até secar a garrafa.
25/10/10
 
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Mãe



Meu campeão, ouço a voz genitora
No aconchegante regaço materno
Alimento-me de minha auspiciadora
Energia vital dum elo sempiterno
Tenho sua voz, a sua tez
Sua índole e o seu amor
Nunca cometi nenhuma insensatez
Jamais quis vossa dor
Quero dar-lhe louvores, glórias
Enaltecê-la em meus versos
Dizer o quanto eu te amo
O céu  batizou-te Lúcia, a Luz
Do Sol, das Estrelas, da Lua
Tu és o brilho resplandente em mim.
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Parado em pé


Sinto o amanhecer
Escuto vagarosamente
Uma música
Tento reconhecer
Nada me vem a mente
Só uma sensação rústica
Quando acordo cedo
No frio da manhã
Vem-me a sonoridade da canção
Traz-me um momento ledo
Paixão vã
De um cego coração.
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Fui menino



Vejo tudo que está ao meu redor
Um pensamento intrusivo me invade
Lembro-me das muitas sensações
Chorei um dia quando voltei da praia
Senti saudades das ondas a marulhar
Não quis deixá-las sozinhas
Tive medo de minha mãe ver-me chorar
Disse que minha irmã batera-me, chorei
Recobro as danações de moleque levado
Espiava a empregada no banho
Jogava bola até escurecer
Atirava pedra com estilingue
Subia no pé de abacate
Corria, pulava,sorria, vivia
Comia acerola do cacho
Soltava pipa, apanhava pássaros
Imitava o Tarzan em minhas aventuras
Na selva da casa da vovó
Quando escurecia tomava um banho
E corria para os braços de mamãe.

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    O laço de Afrodite




        Júlio era um rapaz que cursava o segundo semestre de direito, era tranqüilo, pacato e não havia namorado nenhuma moça até aquele momento. Não porque não quisesse, mas por querer se aprofundar bastante na área jurídica e conseguir um bom emprego. Queria, afinal, ter uma casa, família, filhos e suas respectivas responsabilidades.
       Certo dia, enquanto fazia anotações em seu livro sobre as explanações do professor encontrou-se observado por uma colega de sala. Imediatamente desviou o olhar e continuou o que estava a fazer. Porém, os olhares perduraram por vários dias, até que Júlio entendesse que a moça estava enviando uma mensagem do tipo: Estou afim de você!
       Ocorreu-lhe após isso uma vontade de também observá-la. Começou de imediato a aquilatar-lhe a beleza. Tinha pernas e quadril torneados, cabelos curtos e louros, olhos verdes, uma tez bronzeada, vestia-se muito bem e, por fim, encantava quem a olhasse. Sua imaginação começou a fervilhar com a idéia de um possível romance, pois já estava na hora e seu corpo cobrava um entrelace amoroso. O ímpeto vinha dos fortes hormônios da mocidade.
       Permaneceu o mesmo por vários dias, ficava com receio de chegar àquela bela garota. Não tinha experiência com mulheres. Ela continuou a flertar com mais intensidade mesmo assim Júlio evitava pensar que todos aqueles olhares eram cobiçosos. Dizia consigo: Ela é muito bonita, não vai querer um cara como eu tímido. Franzino, sem-sal. Deve querer um desses de corpo atlético, garanhões, cafajestes etc.
       Resolveu não pensar mais nisso. Concentrou-se nos estudos. Inopinadamente no intervalo da aula, a garota vem e abruptamente aborda-o e pergunta seu nome.
       Nervoso, boceja: Chamo-me Júlio. E você?
    _ Meu nome é Alana, mas todos costumam me chamar de Lana.
    _  Prazer Lana.
    _ Bom, eu queria dizer que quando te vejo meu corpo fica de um jeito que não sei explicar. Fico louca! Chego a pirar.
    Uma forte emoção o possuiu de imediato, ficara desorientado. Não sabia o que responder, apenas balbuciou roufenhamente:
    - Você é linda.
    Ah, obrigada. Tenho que ir agora para aula, depois vejo você. Tchau 
    Júlio continuara imóvel no corredor diante daquela fulminante declaração, mas o seu senso o encaminhou para a aula de direito penal. Dias depois quando andava pela faculdade, um amigo, Wilker, chamou-lhe com um sorriso malicioso.
    - Ei cara vi você conversando com Lana. Esta virando um homenzinho heim! O que conversavam? Quero saber!
    - Nada, só, assuntos jurídicos. E você como está?
    - Estou bem, tenho trabalhado muito, mas estou conseguindo acompanhar as seis disciplinas em que me matriculei. Ah, não mude de assunto, vi os bem juntinhos outra vez e nesse mato tem cachorro.
    Naquele momento, Alana cruza e acena com um belo sorriso para os dois. Wilker saboreia-a com os olhos de uma raposa, chegando a salivar. Enquanto que Júlio ficara a repassar em sua mente o último encontro.
    - Júlio, tens o número do telefone dela?
    - Eu, não.
    - Pois toma. Faça bom proveito. Até mais, estou atrasado para a prova.
    Não houve tempo nem para Júlio se despedir, quando ensejou agradecer, seu amigo já estava dobrando o corredor. Passara minutos eternos olhando o número, fitava os oito dígitos com uma felicidade de quem ganhara na loteria. Não se deu conta do tempo.
    Ao chegar em casa escreveu uma mensagem dizendo o quanto desejava conhecê-la e, em seguida, enviou. Deitou-se na cama com as mãos entrelaçadas por baixo da cabeça apoiando-a confortavelmente Não custou muito e ouviu um toque de uma nova mensagem que continha as seguintes palavras: Adivinha o que quero fazer com você? Chocou-se ao ler. Suas expectativas foram quebradas, pois desejava encetar um namoro com todas as preliminares da conquista, o primeiro beijo e palavras de amor. Adormeceu pensando na mensagem.
    Na semana seguinte, seu celular não parava de receber mensagens apaixonadas que reclamavam um encontro ardente. Conversaram horas e horas pelo telefone num envolvente jogo de sedução. Combinaram tudo. Numa quinta-feira, à tarde, ficaram de se encontrar num restaurante às duas horas da tarde. Júlio chegou uns dez minutos de antecedência, sentou-se perto das janelas de vidro do estabelecimento; logo depois encostou um carro e, do interior, Alana chamou-o. Foi ao encontro dela, puxou-a para fora do carro e beijou-a violentamente. Em seguida, entraram no carro. Alana pergunta:
    - Você que ir para onde?
    - Não sei. Júlio temia em dizer a palavra motel, não se sentia seguro, achava que era precipitado falar naquele momento.
    - Diz um lugar legal onde possamos ficar juntinhos. Enquanto dirigia, Alana transpunha sua mão do câmbio da marcha para as pernas dele e acariciava-as excitando-o.
    - Deixo por sua escolha.
    - Pois então vou levá-lo para um lugar que espero que goste.
    O carro parou na entrada de um motel. Entreolharam-se com um sorriso e entraram. Foi uma tarde das mais ardentes e selvagens.

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    Veneno

          Num sábado à tarde com o sol já decaindo na linha do horizonte, três homens conversavam sentados ao redor de uma mesa com uma aguardente bem branquinha e um prato azul com arroz, feijão, purê e postas de peixes torradinhas. Eles conversavam diversas trivialidades quando chegou um rapaz, bem apessoado e perguntou:
       _ Padrinho, estive estudando um pouco e descobri um método que lista vários nomes de uma coisa, objeto. Lembrei que você sempre chama cachaça de veneno.
      _ Foi? Pois eu não sabia que se chamava veneno, sempre chamei assim por conta própria.
    _  Hum, pensei que já tinha ouvido. Mas é bem interessante o método
    _  É, Bacana.
    Os outros dois homens, ébrios, escutavam a conversa, calados, pois eram pessoas mais simples, um era trabalhador e outro vivia bebendo, definhava por sinal.
    _ Afilhado, tive uma idéia. E, direcionando-se para a direita, pergunta para os dois bebinhos:
    _ Fala aí um nome para cachaça!
    _ Como assim?
    _ Fala outro nome para designar essa bebida ora. Quando vai ao bar como você pede? Heim?
    _ Ah! Então vamos jogar só entre nós  que estamos bebendo. Com teu afilhado não vale.
    O padrinho assentiu.
    _ hum... Traz a boa, boa! Inicia o bebinho trabalhador.
    _ Ardosa! Responde o padrinho.
    _ Vai Evandro, tua vez! Rogou o padrinho com um ar desacreditado.
    _ Ah, eu? Hum, a boa!
    _ Eu que falei essa! Retrucou o outro
    _ Deixa eu ver, pinga! Balbuciou com uma voz lânguida e gutural.
      A cada resposta, eles petiscavam o tira-gosto e tomavam uma dose de água-benta. Até que depois de algumas rodadas a vez recaiu sobre o padrinho e se fiando a buscar em sua memória um nome que não houvesse já se referido. Pensou bastante. De repente, com olhos arregalados disse:
    _ Água-que-passarinho-não-bebe. Sorriu triunfante.
    Os outros cansados e sem novas palavras, deram-se por vencidos. O padrinho sarcasticamente comemorava sua vitória convidando-os a beber.
    _ Meus caros, vamos continuar tomando nosso engasga-gato que meu afilhado já colheu bastantes sinônimos  para seu método onomasiológico. Bebamos!
    E os três se esbanjaram até secar a garrafa.
    25/10/10
     

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    Mãe



    Meu campeão, ouço a voz genitora
    No aconchegante regaço materno
    Alimento-me de minha auspiciadora
    Energia vital dum elo sempiterno
    Tenho sua voz, a sua tez
    Sua índole e o seu amor
    Nunca cometi nenhuma insensatez
    Jamais quis vossa dor
    Quero dar-lhe louvores, glórias
    Enaltecê-la em meus versos
    Dizer o quanto eu te amo
    O céu  batizou-te Lúcia, a Luz
    Do Sol, das Estrelas, da Lua
    Tu és o brilho resplandente em mim.

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    Parado em pé


    Sinto o amanhecer
    Escuto vagarosamente
    Uma música
    Tento reconhecer
    Nada me vem a mente
    Só uma sensação rústica
    Quando acordo cedo
    No frio da manhã
    Vem-me a sonoridade da canção
    Traz-me um momento ledo
    Paixão vã
    De um cego coração.

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    Vejo tudo que está ao meu redor
    Um pensamento intrusivo me invade
    Lembro-me das muitas sensações
    Chorei um dia quando voltei da praia
    Senti saudades das ondas a marulhar
    Não quis deixá-las sozinhas
    Tive medo de minha mãe ver-me chorar
    Disse que minha irmã batera-me, chorei
    Recobro as danações de moleque levado
    Espiava a empregada no banho
    Jogava bola até escurecer
    Atirava pedra com estilingue
    Subia no pé de abacate
    Corria, pulava,sorria, vivia
    Comia acerola do cacho
    Soltava pipa, apanhava pássaros
    Imitava o Tarzan em minhas aventuras
    Na selva da casa da vovó
    Quando escurecia tomava um banho
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