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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!

Sonho de uma fotografia

Marta, você viu  a camisa vermelha que sempre gosto de usar? Ótimo, e os meus óculos? Não, de grau não, óculos de sol. Acho que vou sair. Ah! Marta nunca faz nada certo! Marta é sempre muito distante. Acho que é lerda. Ô Marta, e a caneta, você viu onde coloquei? Não presta atenção em nada. Não. Não vou demorar. Aliás, não sei nem se vou sair de casa mais. Se você ao menos me ajudasse. Mas não. Parece até que tem nuvem na cabeça, mulher. Tá bom! Não saio mais. Fico aqui te olhando mexer nessas tralhas. Mas te digo logo que não vou mais tocar nisso aí não. Nem costurar covê sabe! Tá bom, tá. Dou uma olhada sim. Então, vê pra mim os meus óculos. Não, os de sol não. Os de grau. Já disse que não vou mais sair. Marta também não escuta direito o que a gente fala. Tenho pra mim que ela nem escuta, às vezes. Ou porque não pode ou só escuta quando quer. Parece até que ela não tem querer. Marta, aquele martelinho, onde eu gardei desde a última vez que você me fez mexer nestas tralhas? Suas tralhas. Não, Marta, o  martelinho. Marta inventa essas coisas só pra me fazer ficar com ânsia. Sabe que até gaguejo quando a ânsia me toma. Até tremo. Agora como vou consegir dar um jeito nestas tralhas? Poxa, Marta. Se você ficar muito perto não consigo enxergar o parafuso. Marta não entende nada de parafuso, de martelinho, nem de costura. Não sei pra quê ela inventa de mexer nesta tralha. Ela quer é me ver com raiva, com ânsia, gaguejando. Só quer me ver mal. Sempre desconfiei de que ela não fazia bem pra mim. Parece até um diabo, o demônio. Mas ela sempre esteve perto de mim mesmo, bolas! Não, Marta, essa agulha não dá certo aí, não. Não insista, Marta, já disse pra não me deixar assim. Marta não faz nada, só quer que eu faça do jeito dela. Mas nunca sei o jeit dela. Pega um café pra mim, Marta. Então deixa. Queria fresquinho. Tá bom, vou esperar. Mas quando estiver pronto não sei se ainda vou querer.
E foi esse futuro que se fez e desfez no momento em que a fotografia de Marta apareceu quase propositadamente na gaveta quando ele procurava os óculos de sol. Se sua morte prematura não o tivesse separado desse futuro por meio de um barbante tão vulgar.

Keyla Freires
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