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Tecendo a Escritura

Olá, Nosso Blog é uma janela de acesso aos textos escritos no Laboratório de Criação Literária, in-disciplina desgovernada pelo Cid, professor da Universidade Federal do Ceará. Boa leitura!

O sinal de trânsito

Hoje é dia de tristeza, não, não é mais um dia triste dos milhares dos quais já vivi, ou melhor, é o pior dia de minha longa vida de solidão. Neste cruzamento eu moro há muitos anos e sempre vejo a mesma coisa todos os santos dias, carros vêem, carros vão e pra completar são mal educados, sempre andam fazendo barulho e poluindo o planeta.
Não faço nada mais do que informá-los de que é hora de parar, para que os outros apressados prossigam, e depois advirto que eles continuem caminhando e volto a soltar fogo pelos olhos, para que os mal educados parem.
Agora imaginem sempre fazer o mesmo, que coisa mais chata, o que me salva são as árvores que ficam nos canteiros das avenidas, mesmo assim elas me aborrecem, pois sempre são as mesmas. Claro que as coitadinhas sofrem mais do que eu, já que são prejudicadas por essas coisas cinzentas que os barulhentos liberam quando estão correndo e gritando, que saco, hem? Isso me faz sofrer por mim e pelas coitadinhas.
Para completar sempre vêm uns bichos que se movem através de dois gravetos secos e todos pintados de cor de fogo, pra roubar as partes das árvores, ainda bem que elas resistem aos maus tratos que as fazem. Dá-me uma vontade grande de morrer quando os bichos de fogo estão cortando alguma delas pelo tronco, porque já sei que não vão mais viverem.
Sabe gente? Elas são as únicas coisas que não mexem comigo, já que sempre ficam no mesmo cantinho se mexendo com o passar do vento, ruim é quando um pedacinho delas voa até os meus olhos, aí fico todo agoniado, mais o vento logo passa e leva pra bem longe de mim. Isso não me faz ficar zangado, pois sei que não é por que elas querem.
Agora imaginem em um dia de domingo pela madrugada, nenhum barulhento, nenhum bicho cor de fogo, nem vento e as coitadinhas imóveis e eu aqui como sempre, atuante, alternando com os olhos de fogo, com o olho do medo e o olho de se escapar. Pisco para o nada passar. Assim vivo e viverei até a morte me alcançar, já que sofro da tal longevidade. Estou no desespero, clamando ao amigo ferrugem que me leve o quanto antes e acabe com toda minha solidão e com o meu sofrimento.  

                                                                                                          Jesus Ximenes.
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